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Bacco, ora pro nobis
Navegar é preciso, degustar não é preciso!
Christovão de Oliveira Junior

Navegar é preciso, viver não é preciso é uma frase que alguns acham ser criação de Caetano Veloso, pela música que ele gravou há algum tempo; outros a atribuem a Fernando Pessoa, mas a verdade é que ela vem de muito tempo atrás, na Grécia antiga e o seu verdadeiro sentido é de que a navegação é uma ciência exata (precisa) e viver é algo incerto, indecifrável (impreciso ou não preciso).

É, pegando carona nesta frase famosa, que quero falar sobre a degustação de vinhos.

Neste nosso mundo globalizado, massificado e cada vez mais dirigido por padrões, também no mundo do vinho existem diversas tentativas de nos dizer do que devemos e do que não devemos gostar. Como se o gosto, o prazer fosse algo passível de padronização. O gosto, o prazer são, como nós seremos humanos, múltiplos, variáveis, incertos. Esta é uma das grandes belezas do mundo do vinho: sua variedade, multiplicidade, incertezas, evolução, diferentes posições e soluções, enfim todo um universo a se desvendar e principalmente a se fruir.

Esqueça todos aqueles que pretendam dizer o que devemos e o que não devemos gostar; seja ele o Imperador do Vinho, ou o colunista de seu jornal, revista ou rádio favoritos. O que eles podem te dizer é que um determinado vinho é bem feito e que tem tudo para te agradar. Mas ele pode não te agradar....e, nesse caso, não se intimide em dizer: não gostei!! Não é este o tipo de vinho que me encanta!! Degustar não é uma ciência exata. Em um grupo de dez pessoas podemos e devemos ter varias opiniões diferentes sobre um mesmo vinho. Somos pessoas diferentes, com gostos diferentes, com diferentes memórias olfativas e gustativas. É por isso que existem inúmeras maneiras de se fazer um vinho. Cada um busca um estilo particular, cada vinho trás, em si, uma serie de expectativas de seu enólogo e de seu produtor. Existem aromas e sabores no vinho que podem agradar a muitos, mas que certamente irão desagradar a outros. Aquele aroma de couro, de animal que tanto fascina certas pessoas, pode ser para outros algo que as desagrada no vinho. Vinhos muito frutados e alcoólicos, são um néctar dos Deuses para uns, enquanto para outros representa uma bebida muitas vezes sem qualquer atrativo.

Portanto, saiba que você não precisa se intimidar com as opiniões contrárias. Sejam elas de quem forem. Aliás, quanto mais aquele que pensa diferente de você conheça de vinhos, mais ele saberá respeitar a sua opinião.

Acima de tudo, tenha certeza que a medida que você vai bebendo diferentes vinhos, conhecendo mais sobre o mundo do vinho, mais o seu paladar vai se modificando, mais e mais você vai mudando a sua forma de reconhecer e de apreciar um vinho.

E, para que não exista uma interpretação errada da frase título deste artigo, vamos ampliá-la: Navegar é preciso. Degustar não é preciso....mas é necessário!!!




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