No mês de outubro de 2006 eu cheguei da Franca onde fiz com meus bons
amigos Juliano e Christovão uma eno-viagem por três semanas. Nossa
"caravana" do Belo Vinho passou por Bourdeaux, Rhone, Bourgogne,
Champagne e finalmente por Paris.
Uma viagem realmente incrível que em breve estará nos nossos relato.
Dentre os diversos vinhos (em torno de 18 garrafas) que trouxe na
minha mala de viagem, infelizmente, 1 garrafa se quebrou no avião de
São Paulo para Belo Horizonte e outra rachou... isso mesmo, rachou...
Rachou minha garrafa de Mersault 1er Cru "Poruzots" Olivier Leflaive
2002 (para quem não sabe um vinho branco de alta qualidade).

Uma vez que a garrafa estava vazando, todos os meus amigos com quem
comentei o fato me disseram a mesma coisa: "Beba rápido este vinho!!!".
Mas, teimoso que sou, resolvi não bebê-lo de imediato. Durante nossa
viagem tivemos a oportunidade de tomar alguns vinhos brancos da
Bourgogne bem antigos... 1990... 1989... 1976... 1964... 1958... todos
muito bons... magníficos... mas isso é história para outro artigo. Aí
eu pensei o seguinte: "meu vinho rachado é de um ótimo terroir,
excelente produtor e uma boa safra... acho que esse 'rachadinho' pode
levar o vinho à uma ultra-rápida evolução forçada... vou 'pagar pra
ver'...". "Corajoso esse sujeito", muitos podem pensar... mas a
verdade era que estava decepcionado com o fato de não poder guardar
por uns anos o melhor vinho branco que eu trouxe da viagem... então
"chutei o balde"!!!
O tempo passou... para comemorar seis meses da minha chegada da
França, resolvi abrir o vinho e ver o estado dele. Essas fotos são do
dia que o abri (15/04/2007), reparem na primeira foto a boa quantidade
de líquido que foi embora da garrafa e a terceira foto mostra onde
estava o rachado:



Muito bem senhores... Creio que vocês estão curiosos pra saber o
estado que o vinho se encontrava. E pasmem... o vinho estava
maravilhoso... cor amarela muito bonita, no nariz o vinhos mostrava
mel intenso, leve tostado, flores, castanhas, amêndoas, muito intenso.
Fiquei muito surpreso, mas confesso que mesmo assim estava pessimista
em relação ao que viria na boca, mas, novamente surpresa: o vinho na
boca era lindo!!! Frutas, mel, acidez correta (por incrível que
pareça), equilibrado, com bom corpo e um final de boca inesquecível.
Pois bem senhores... vocês devem estar pensando: "deu tudo certo com
o vinho... por que o nome do artigo é 'O dia da caça'?"
Digo-lhes: aquele dia era realmente o dia da caça... Ao
abrir o vinho, com o máximo de cuidado possível, logo ao tirar a rolha
completamente, o fundo da garrafa se abriu de uma vez. Eu e a mesa
tomamos um banho de vinho (já ouvi falar em escovar dentes com vinho,
mas tomar banho é demais) molhando tudo ao redor. No meio dessa
bagunça, consegui salvar uma mísera taça do vinho... com pouco mais de
60 ml do precioso líquido. Dêem uma olhada como a garrafa ficou:


Bom caro leitor, está aí mais uma pitoresca história do vinho. Uma
pena eu não ter a possibilidade de tomar todo o vinho, com o saboroso
almoço que estava sendo preparado pela minha digníssima. Mas agora,
serei obrigado a voltar ao Olivier Leflaive e comprar outra garrafa de
Meursault!!! (risos) Afinal... um dia é do Caçador e o outro é da Caça!