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Bacco, ora pro nobis
Argentina está cada vez melhor
Christovão de Oliveira Junior

No dia 16, foi realizada em Belo Horizonte a 12ª edição da feira Wines of Argentina, promovida pela Cristina Neves Comunicação e Eventos. A degustação contou com a presença de 17 produtores, que apresentaram uma bela amostra de vinhos. A Argentina tem a meta declarada de ser o maior exportador para o mercado brasileiro. Diversos fatores podem contribuir para isso, mas a evolução contínua na qualidade é a maior garantia para alcançar o objetivo, assim comos os preços atrativos. A cada mostra de vinhos argentinos, pode-se constatar que o cenário vinícola do país é como um quadro ainda sendo pintado cujo resultado ainda está distante: por mais que seus produtos sejam admiráveis, acredito firmemente que o melhor está por vir.

Diversos fatos reforçam essa crença e vou listar alguns, bastante significativos. Em primeiro lugar, quero falar da qualidade dos espumantes. Todo enófilo sabe que eles não são, nem de longe, o forte da vinicultura local. Há 10 anos, era difícil encontrar espumantes "nacionais" nas cartas de restaurantes argentinos. Há três anos, a situação já era completamente diferente: havia diversas marcas regionais. Entretanto, a qualidade era ainda muito baixa. Atualmente, a produção continua a aumentar significativamente em quantidade, mas o mais importante é que a qualidade dos espumantes argentinos cresce a cada safra. Na 12ª Wines of Argentina, bons exemplares foram apresentados por Nieto Senetiner, Trapiche e Bodegas Septima.

Quanto aos vinhos de sobremesa, embora constituam uma fatia do mercado ainda a ser descoberta por grande parte dos consumidores brasileiros, o número de exemplares e a qualidade são cada vez maiores. A experiência com diferentes castas tem apresentado resultados interessantes: produtos de qualidade foram apresentados por Bodegas Norton e Terrazas de los Andes. No item vinhos brancos, compartilho a opinião do crítico inglês Andrew Jefford de que a Argentina ainda vai produzir grandes rótulos tanto a partir de castas internacionais quanto de outras menos conhecidas. A diversidade das áreas de produção argentinas oferece condições que permitirão experiências positivas com muitas variedades de uvas. A torrontês se tornou sinônimo de sucesso nos últimos anos, mas com certeza os grandes vinhos virão nos próximos anos a partir da viognier, da sauvignon, da chenin e da chardonnay, principalmente. No salão, um belíssimo exemplo foi o Chardonnay Reserva da Terrazas de los Andes.

Tudo isso tem propiciado campo para um desenvolvimento acelerado de vinhos e de novas áreas de plantio. Outro fato importantíssimo é que grandes e renomadas vinícolas europeias vêm investindo massivamente na Argentina, propiciando forte interação entre tradição e modernidade. O cenário vitivinícola argentino é um verdadeiro caldeirão, no qual fervilham diferentes técnicas, estilos e experiências.

Finalmente, vamos falar do mais óbvio, que é o vinho tinto. O malbec argentino já é reconhecido mundialmente, sendo que Robert Parker acredita que, brevemente, estará entre os vinhos mais renomados do mundo. Aqui no Brasil, a casta há muito caiu no gosto dos enófilos. A diferença do terroir entre as zonas vitícolas argentinas faz com que haja por lá malbecs dos mais variados estilos, capazes de agradar a todo tipo de consumidor. Outras castas tintas vêm apresentando ótimos resultados no país. Pinot noir, tempranillo, tannat, cabernet sauvignon, syrah e merlot comprovaram sua qualidade tanto em vinhos varietais como em cortes a cada dia mais interessantes. A bonarda já é um sucesso e ainda vai evoluir significativamente. Entretanto, são os vinhos de corte bordalês, na minha opinião, o tesouro a descobrir, capazes de oferecer prazeres sempre maiores e mais interessantes.

Que a Argentina continue a nos proporcionar diversas feiras como essa.





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