Desmistificando o vinho - Quanto mais caro melhor
Não conheço nenhuma área em que essa seja uma regra absoluta e não poderia ser diferente em relação ao vinho. É óbvio que para se obter uma matéria prima de qualidade são necessários gastos que repercutirão no preço final do vinho. Não existem milagres: gastos com a redução do rendimento em favor da qualidade das uvas, equipamentos modernos, barricas de carvalho, assessoria especializada, tudo reflete no preço.
Assim como na cozinha, bons ingredientes
ajudam, mas não
garantem um bom prato, bem como podem surgir belos pratos feitos de ingredientes simples. Da mesma forma, vinhos caros podem decepcionar, e vinhos simples surpreender. Esse, aliás, é um dos encantos do mundo do vinho, e por isso é preciso provar, provar e provar, além de ler sobre o assunto e trocar informações. Tudo em busca da tão falada relação custo/benefício. Um vinho barato pode não chegar a ser excepcional, mas pode agradar sem pesar no bolso.
Não é raro falarem no limite imaginário de US$ 10,00, abaixo do qual seria impossível falar-se em vinhos de qualidade. A afirmação não chega a ser absurda, mas, felizmente, existem inúmeras exceções, principalmente de vinhos oriundos dos nossos vizinhos do cone sul. Em razão da pequena distância que há entre nós, da mão-de-obra barata e do incentivo dado por estes países, temos em nosso mercado várias opções de vinhos honestos e agradáveis abaixo desse limite.
Dos países europeus e outros mais distantes, torna-se missão um pouco mais difícil achar vinhos de boa relação qualidade/preço nesta faixa. Como dito anteriormente, não existem milagres no mundo do vinho. O transporte e a mão-de-obra são sensivelmente mais caros, o que faz com que os demais custos tenham que ser exageradamente reduzidos para que os vinhos cheguem aqui a esse preço, principalmente considerando a enorme carga tributária brasileira e as margens de lucro praticadas pelos importadores. Além disso, vinhos de regiões famosas e tradicionais do velho mundo trazem a fama embutida no preço, o que costuma afastar os fãs de um bom custo/benefício.
Seja como for, o que importa é o gosto pessoal, que não deve ficar atrelado a faixa de preço alguma.