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Bacco, ora pro nobis
Dicas e Truques
Daniel F. Pedrosa Chaves
Como são feitos os vinhos de sobremesa

Os vinhos de sobremesa são vinhos doces, mas não guardam nenhuma relação com os chamados vinhos suaves, de qualidade inferior e que recebem adição de açúcar de cana. Naqueles o açúcar é proveniente da própria uva e não é adicionado ao mosto. Há vinhos de sobremesa que estão entre os mais saborosos (e caros) do mundo.

Há diversas técnicas de se produzir o vinho doce. Uma das práticas mais comuns consiste na adição de anidrido sulfuroso e filtração para a eliminação das leveduras do mosto. Esse processo interrompe a fermentação e parte do açúcar (da própria uva) não é transformado em álcool.

A colheita tardia ('late harvest' ou 'vendage tardive') é também muito utilizada. Colhem-se os cachos semanas ou meses após a data normal, o que faz com que as uvas se tornem extremamente maduras e doces. Conseqüentemente, a fermentação do mosto gera alto teor de açúcar residual.

Outra possibilidade é colher as uvas e deixá-las secar, tornando-as ligeiramente passificadas, concentrando o teor de açúcar da uva.

A adição de aguardente vínica (bagaceira, grappa) ao mosto é a forma de produção dos vinhos fortificados como o Porto, o Marsala e o Madeira. A alta concentração alcoólica faz com que as leveduras deixem de trabalhar e a fermentação se interrompe sem que todo o açúcar seja transformado em álcool.

Entre os melhores do mundo estão os vinhos de sobremesa produzidos com uvas atacadas pelo fungo 'Botritys Cinerea', fenômeno natural que ocorre em regiões como Sauternes e Alsácia, na França, Vale do Reno e Mosel, na Alemanha, Hungria, Áustria, entre outros. O ataque do fungo gera um fenômeno conhecido como podridão nobre ('pourriture noble'), que acaba por produzir a desidratação da uva e a concentração do extrato seco e dos açúcares. Podem ser caríssimos e muitas vezes exigem várias colheitas, realizadas bago por bago.

Por fim, há também os 'Eiswein' ou 'Icewines'. As uvas que darão origem a esse vinho são colhidas quando congeladas em uma noite fria. Ao serem esmagadas, grande parte da água dos bagos é retirada como gelo, resultando em concentrações elevadas de sabor, acidez e açúcar. São deliciosos, raros e muito caros.






Comentário(s):
Nome: Aparecida Nery
Comentário:
Boa tarde

Gostaria de servir um espumante acompanhado com trufas ao final de um evento (aprox. 1h após o evento. Qual sabor das trufas combinariam: tradicional de rum, amarula, menta,abacaxi com vinho tinto?
Obrigada

Aparecida Nery

Nome: Francisco Nunes
Comentário:
O Château Grillon, de Sauternes, na França é um exemplo destes maravilhosos vinhos de sobremesa. para quem não o conhece, vale a pena experimentar pois ele e alguns raros vinhos do Porto são excelentes opções para um grand finale.

Nome: Vera Bicalho
Comentário:
Excelente explicação sobre o vinho de sobremesa. Sou amadora em vinhos e adoro conhecer tipos de vinhos e os tipos de uvas. Em viagens ao Sul do Brasil, apreciei visitar vinícolas e ver como é o processo de ponta a ponta até o engarrafamento. Gostaria de saber se o Brasil produz o vinho de sobremesa. Abraços.

Nome: Daniel F. Pedrosa Chaves
Comentário:
Prezada Vera,

muito obrigado. Sim, o Brasil produz alguns poucos vinhos de sobremesa, de colheita tardia (p. ex: Aurora Colheita Tardia, Miolo Late Harvest) e fortificados (há exemplares da Casa Valduga, Don Laurindo, etc).

Abraços

Nome: Marlus Coelho
Comentário:
Sou sommelier amador.Gostaria de cumprimentá-lo,pois é a primeira vez que leio uma explicação tão boa, fácil, didática e bem compreensível, mesmo para os iniciantes neste mundo maravilhoso,misterioso e encantador do vinho...
Parabéns.
Eng. Marlus Coelho.

Nome: Maria Aparecida Silva
Comentário:
Olá gostaria de saber se as uvas do vinhos do porto é de colheita tardia.

Nome: Daniel F. Pedrosa Chaves
Comentário:
Prezada Maria,

as uvas utilizadas no Vinho do Porto são colhidas em estado de alta maturação, mas ele não é considerado um vinho de colheita tardia e sim um vinho fortificado, até mesmo porque há vinhos do porto com açúcar residual mínimo - secos. O açúcar residual comum à maioria dos Vinhos do Porto decorre da interrupção da fermentação pela adição de aguardente vínica fazendo com que o açúcar natural das uvas não se transforma completamente em álcool. Convém ressaltar que a doçura varia de acordo com o momento de interrupção da fermentação, consistindo em uma opção do produtor.

Nome: Marcos Zambelli
Comentário:
Muito boa a dica. Simples e didática, mostrando que o site é democrático como o vinho, dirigido para 'entendidos' e neófitos.



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