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Bacco, ora pro nobis
O dia P (de Petrus)
O dia da degustação foi, pode-se dizer, perfeito. O dia estava lindo no Rio com uma temperatura super agradável e um céu azul de uma cor que só o Rio pode ter.

O mar, estava uma delícia, e a água na temperatura ideal. Sol, areia, água fresca e cerveja gelada foi uma combinação perfeita para arrefecer um pouco a minha ansiedade. A cerveja foi apenas até o meio da tarde quando deu lugar à água de côco; afinal a noite merecia que eu estivesse inteiro. Por este motivo às 16h30m voltei para o hotel, tomei um belo banho e dormi o sono dos justos até pouco depois de 18horas. Apesar da ansiedade foi um sono tranqüilo e reparador que me deixou quase pronto para a noite. Mais um banho foi o suficiente para mudar o "quase pronto" para inteiramente pronto.

Ás 19horas já estava sentado em uma barraca do calçadão em frente ao Hotel Porto Bay onde o evento iria ocorrer. Fim de tarde em Copacabana é algo para ser descrito apenas por poetas. Mas o que precisa ser dito é que é a inspiração perfeita para a noite que viria. Alem de tudo a noite era de lua cheia! O que mais eu poderia pedir.

Aquele anoitecer foi o momento propicio para que eu respirasse fundo, ouvisse e sentisse o coração bater e acima de tudo tivesse um momento de refletir e agradecer pela possibilidade de realizar um sonho tão sonhado.

Cheguei com boa antecedência ao local da degustação, a tempo de conversar um pouco com o Jose Augusto, bem como com o Professor Célio Alzer e Marcelo Copelo que lá estavam. Melhor de tudo, tive todo o meu tempo para primeiro admirar as quatro garrafas abertas, cada uma ao lado de um decanter com os líquidos objeto do desejo.

Quatro garrafas, quatro rolhas e quatro decanters perfeitamente posicionados frente a uma janela que descortinava o mar de Copacabana e as cores e luzes do anoitecer nesta praia especial. Acredito que visão como esta dificilmente se repetirá. Fui invadido por um sentimento de plenitude que me atingia corpo, mente, coração e alma. Por alguns segundos fiquei ali parado com o olhar perdido entre garrafas, rolhas, decanters, vinhos e a noite de Copacabana.

Agora ao escrever a cena, me vem à mente flashbacks de quando, em seguida, eu peguei admirei e cheirei cada rolha e cada garrafa. Apesar de tentado, não fiz o mesmo com os decanters. Como sinal de respeito, apenas me atrevia a olhar e admirar aquela morada provisória dos vinhos que iríamos degustar.

Vinho é, entre outras coisas, circunstância e, neste aspecto, as circunstancias daquela noite foram perfeitas: a cidade, o clima, a lua cheia, o anoitecer em Copacabana, o hotel, o local da degustação, a arrumação das garrafas e, acima de tudo, os vinhos.

Esta degustação é mais uma do Projeto Verticais. Este projeto foi criado pelas Vitis Vinifera com a finalidade de proporcionar aos enófilos brasileiros a oportunidade de beber vinhos excepcionais; vinhos que dificilmente estão disponíveis para venda no Brasil. O projeto ofereceu cerca de 33 degustações em pouco mais de três anos de vida; isto significa uma grande degustação a cada mês. Entre outras, já tivemos verticais de Mouton, Margaux, Haut-Brion, Cheval Blanc. Montrachets, Mersaults, Champagnes e por aí vamos. Estas degustações têm como objetivo principal a divulgação dos grandes mitos franceses, bem como divulgar e firmar a marca Vitis Vinifera. Este é um projeto que considero impar; um verdadeiro presente dos céus a todos os que amam vinhos e que correm atrás de seus sonhos. Claro que muitos dos que participam das degustações possuem outros meios e oportunidades de degustar estes vinhos, mas por outro lado, muitos outros, como eu, tem este como o caminho mais tranqüilo para realizar os sonhos enólogicos; e talvez seja este o único caminho.



As pessoas foram chegando e, mesmo naquelas acostumadas a beber esta classe de vinho eu podia notar uma excitação palpável. A aparente tranqüilidade era traída por olhos brilhantes e constantes olhares para os vinhos e para o relógio.

As conversas eram as mais variadas; de comum o freqüente olhar para garrafas e decanters.

Em algum local eu uma vez li que em uma caça, para muitos o mais importante não é abater o animal caçado, mas sim a emoção da busca e da perseguição. Eu consigo compreender bem esta filosofia e até acho que ela é válida para muitas outras coisas na vida; mas naquela noite o que mais queria era que chegasse a hora do abate. E apesar da busca ter sido curtida ao extremo, o melhor estava chegando: beber o mito!




Comentário(s):
Nome: Marlus Coelho
Comentário:
Que maravilha! Fantástico...
Uma descrição perfeita para a degustação de um vinho tão especial digno da mesa de reis e altar dos deuses...como a descrição perfeita do ambiente,neste Rio de Janeiro tão encantador.
Com os seus detalhes, com a alegria,inteligencia e competencia dos grandes poetas, demonstrou que vc estava digno e perfeito para este momento tão especial!
Eng.Marlus Coelho ( um apreciador de bons vinhos,
de poesia e da beleza da vida...)






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