No fim de semana dos dias 11/12 de Outubro estive no Vale do Rio São Francisco, a convite da Miolo para a inauguração do complexo eno-turístico da Fazenda Ouro Verde, situada em Casa Nova, Bahia.
O evento reuniu cerca de 500 convidados entre operadores de turismo, jornalistas, empresários do ramo hoteleiro e representantes do governo. A cerimônia contou com a presença do governador Jaques Wagner que anunciou uma remodelação do aeroporto de Casa Nova, de forma a se preparar para o aumento no numero de turistas.
A plantação de videiras para elaboração de vinhos finos em tal área representa a quebra de importante paradigma no mundo vinícola que costumava definir como áreas aptas para este tipo de plantio como sendo apenas faixas muito restritas dos hemisférios norte e sul. Áreas estas que se situam a milhares de quilômetros de distancia do Vale São Francisco.
O objetivo declarado da Miolo é oferecer vinhos jovens e prontos para o consumo dos habitantes da orla atlântica e de regiões de clima predominantemente tropical, que são a maioria da população brasileira.
O evento constou de visita aos vinhedos e instalações de vinificação, um almoço na Cantina e na parte da tarde um passeio de barco pelo Rio São Francisco.

O Rio São Francisco separa dois estados (Bahia e Pernambuco) e duas cidades de um bom porte (Juazeiro e Petrolina) que são ligados por uma bela ponte sobre o Velho Chico. A região apresenta um grande crescimento econômico devido, principalmente aos negócios voltados para a produção de frutas. Os produtos da região atendem tanto ao mercado interno brasileiro quanto ao mercado externo. Duas vezes por semana um grande avião cargueiro pousa na cidade para levar toneladas de frutas para a Europa.
Diversos projetos de grande porte são desenvolvidos na região voltados para a plantação de diversos tipos de frutas.
Importante, também, é citar o artesanato e a rica cultura nordestina.

Alem desse comércio, o potencial turístico da região é muito bom, pois a área onde se situam as duas cidades é conhecida como Lagos do São Francisco, ou então Rota das Águas do Velho Chico. Existem diversos passeios de barco que exploram ilhas, cidades ribeirinhas e o Lago de Sobradinho que é o segundo maior lago artificial do mundo.
A área baiana dos Lagos do São Francisco compreende as cidades de Juazeiro, Casa Nova, Paulo Afonso, Remanso, Curaçá e Sobradinho.
A região já conta hoje com seis vinícolas que produzem 15% de todo o vinho fino do Brasil. O enoturismo passa a ser, a partir desta iniciativa mais um importante fator de atração de negócios para a região.
A FAZENDA OURO VERDE.

A visão de vinhedos na paisagem semi-arida do Vale do São Francisco é algo fascinante e que não deixa margem a duvidas quanto à competência, capacidade técnica e poderio econômico do Miolo Wine Group.
- A fazenda foi adquirida em 2001 pela Miolo e pela Lovara e possui 700 hectares.
- Até agora foram investidos no empreendimento cerca de 30 milhões de reais
- A área plantada com vinhas é de 150 hectares e até 2012 deverá estar com 200 hectares
- A irrigação em todo o vale é feita com a mais moderna tecnologia mundial, utilizando tecnicas israelenses. Nos vinhedos da Miolo, a irrigação é feita por gotejo, controlada por computador. A indicação das necessidades hidrológicas das vinhas e feita por sondas implantadas no solo das vinhas.
- O projeto é que em 20012 a fazenda produza 10 milhões de litros de vinho ao ano, destinados a brandy, espumantes, vinhos brancos, tintos e de sobremesa.
- Os espumantes Brut e Demi-Sec são produzidos pelo Método Charmat e o Moscatel pelo Método Asti.
- A meta da Miolo é exportar entre 40% e 50% da produção da Fazenda Ouro Verde em 2012.
- Em 2012 a fazenda deverá produzir cerca de 1,2 milhões de litros de Brandy, a partir de cinco milhões de vinho moscatel.

OS VINHOS DA OURO VERDE
Atualmente são produzidos os seguintes vinhos na propriedade:
- Espumante Terranova Brut
- Espumante Terranova Demi-Sec
- Espumante Moscatel
- Reserva Cabernet Sauvignon/Shiraz
- Shiraz
- Dry Muscat
- Late Harvest
A Miolo vem fazendo experiência com cerca de 20 diferentes castas para testar a sua adaptabilidade à região. O melhor resultado das castas tintas tem sido da Tempranillo, que deverá ser o novo rotulo da fazenda já no próximo ano. A Miolo também aposta no sucesso de um Late Harvest elaborado a partir da casta Petit Manseng.
O BRANDY OSBORNE
- O responsável pela produção é Luis Bustos que por muitos anos trabalhou na Domecq.
- A tecnologia e supervisão da produção são da Osborne, espanhola. Em 2005, a produção que já era desenvolvida na Fazenda Ouro Verde pelas vinícolas Miolo e Lovara desde 2001 despertou o interesse da espanhola Osborne, maior produtora de brandy na Espanha. Para produzir a bebida na Ouro Verde. Foi implementado um projeto que exigiu investimentos da ordem de U$ 5 milhões em plantio de novos vinhedos, destilaria, infra-estrutura e desenvolvimento do produto. Hoje, o processo de produção do brandy na Fazenda Ouro Verde, no sertão do São Francisco, é igual ao da Osborne na Europa.
"Resolvi apostar no negócio porque aqui se produz uva de boa qualidade, num bom clima e temperatura e com irrigação do rio São Francisco, que resulta na produção de um brandy de excelente qualidade", afirma Ignácio Osborne, presidente do Conselho da empresa, que veio da Espanha para o evento.
- Elaborado com a casta Moscatel
- Processo de fabricação envolve duas etapas distintas que são
A - Destilação continua, na qual de cada 4 litros de vinho fino se tira mais ou menos 1 litro de um produto leve e frutado que vai responder por cerca de 70% do volume final do Brandy.

B - Destilação descontínua, na qual se obtém o que pode ser chamado de a "essência do conhaque" e que vai responder por cerca de 30% do volume final do Brandy.

No final é feita a adição de um extrato que é recebido direto da Osborne na Europa.
- O envelhecimento é feito por cerca de um ano em sistema de Solera, com barricas de carvalho que foram utilizadas na elaboração de vinhos tintos e que tem cerca de cinco anos de utilização.
- Um detalhe importante é que as características do Vale, com safras programadas durante todo o ano, permitem uma otimização do processo de elaboração, com maximização da utilização dos equipamentos da cantina.

O COMPLEXO ENO-TURÍSTICO
- O objetivo do projeto é atrair cerca de 5000 visitantes ao ano, num breve período de tempo. Estes visitantes alem de conhecerem e divulgarem o nome da Miolo, serão responsáveis por trazer um grande apoio ao desenvolvimento regional.
- Apenas como comparação, a Miolo na Serra Gaúcha recebe cerca de 130.000 turistas por ano.
- Como na região existem outras seis vinícolas, inclusive com um grande projeto português da Dão Sul, pretende-se criar uma Rota do Vinho do Nordeste.
- Ao visitante será oferecida uma visita de cerca de 90 minutos no qual ele visitará os vinhedos, conhecerá as instalações da Cantina, conhecerá a linha de produção de Brandys, Espumantes e vinhos tranqüilos. Estas visitas serão guiadas por enólogos.
- Existe uma bela área na qual temos uma bem montada loja com todos os produtos da Miolo Wine Group e que conta com espaço para degustação e onde serão oferecidos cursos rápidos de degustação nos moldes do que é feito hoje na Serra Gaúcha.

A criação deste complexo contou com o apoio do governo da Bahia através da agencia de fomento Desenbahia e do órgão oficial de turismo do estado a Bahiatursa.
CONCLUSÃO
Participar do evento foi um privilégio para mim, principalmente pelo fato de me considerar um entusiasta dos vinhos nacionais e um admirador dos pequenos e grandes produtores que lutam por colocar o país em uma posição de destaque no mundo vinícola.
Este projeto do Miolo Wine Group certamente chamará a atenção pelo seu ineditismo, pelo porte do empreendimento e pelas aspirações envolvidas. Alem do mais vem fortalecer fortemente a produção nacional de vinhos finos, oferecendo produtos diferenciados e de qualidade. Com as instalações apresentadas e com o projeto de desenvolvimento do enoturismo nesta nova região vinícola, ganha a Miolo, ganha a indústria vinícola nacional, ganha a região nordestina e ganhamos nós enófilos. Meu desejo é que da Fazenda Ouro Verde a Miolo consiga produzir e nos ofertar ouros brancos e também ouros tintos.
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| Nome: Maria Ripardo |
Comentário: Bastante instrutivo. Muito bem escrito e muitíssimo útil para mim que visitarei a região brevemente. Será uma visita técnica organizada pela companhia que trabalho.
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| Nome: Fábio Rocha Silva |
Comentário: Muito bom. E como nordestino e apreciador da bebida reitero suas palavras quanto ao ineditismo do grupo em investir em uma área socialmente pobre, mas rica em beleza natural.
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