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Bacco, ora pro nobis
Uvas emblemáticas: melhores que na origem?
Christovão de Oliveira Junior

Mais um evento da Degustation's Series promovido por Gerson Lopes e a Adega do Mercado.


Desta vez foram degustados 10 vinhos de dez diferentes castas de forma a se avaliar a adaptabilidade das castas a diferentes terroirs. O objetivo principal foi uma avaliação do desempenho de castas européias no chamado Novo Mundo.

Mais uma vez em um ambiente descontraído e de muito entrosamento os participantes tiveram uma pequena e eficiente aula sobre as castas envolvidas e sobre os produtores. Os vinhos escolhidos estavam entre os grandes representantes de cada cepa e principalmente de sua região e país.

A degustação desenvolveu-se em três etapas. Na primeira foram degustados dois vinhos brancos. Em seguida foram apresentados às cegas os quatro primeiros tintos e no final para acompanhar uma carne especial do Parilla Del Mercado, outros quatro tintos também servidos às cegas.

Na primeira parte foram servidos (clique no nome do vinho se quiser ver a avaliação):

1 – Colomé Torrontés 2008

Vinho que está sempre entre os guias especializados como um dos três melhores vinhos feitos com esta cepa que é a identidade branca da Argentina. Apesar de alguns guias darem esta cepa como sendo derivada de uvas européias, ela é autóctone. Estudos de DNA mostram que a Torrontés é resultado de cruzamento entre a Moscatel de Alexandria e a Criola Chica.

2 – Craggy Range Te Muna Sauvignon Blanc

Vinho de uma grande vinícola da Nova Zelândia que é originado em um vinhedo especial conhecido como Te Muna Road. Além disso a Sauvignon Blanc foi a responsável por colocar a Nova Zelândia no mapa vitivinícola mundial.

 

Na segunda etapa foram servidos os primeiros quatro tintos (clique no nome do vinho se quiser ver a avaliação):

3 – Craggy Range Te Muna Pinot Noir 2008

A Pinot Noir disputa com a Sauvignon Blanc o título de uva emblemática do país. Por este motivo esta degustação contou com as duas uvas e os dois originários de uma vinícola de renome mundial e, principalmente, do mesmo vinhedo reconhecido como excepcional.

4 – Miolo Merlot Terroir 2005

Se quisermos nomear uma casta como emblemática da Serra Gaucha, a que conta com maior apoio entre os críticos é a Merlot. Então Gerson resolveu colocar nesta degustação o melhor representante desta uva como componente desta degustação. O Merlot Terroir da Miolo é o vinho elaborado por Michel Rolland e já é reconhecido em todo o mundo por sua qualidade superior.

5 – Casa Silva Micro Terroir Los Lingues 2005

O Vale de Colchagua é o vale da Carmenere no Chile e este vinho é considerado como um dos melhores representantes desta uva que é a emblemática do país. Além de tudo é um vinho originado de uma das melhores safras chilenas.

6 – Howell Mountain Bear & Lion Old Vine Zinfandel 2006

A Zinfandel é a verdadeira uva emblemática dos EUA. Para representá-la um vinho de uma grande vinícola e que tem grande reconhecimento mundial.

 

Na etapa final foram servidos, ainda às cegas, os vinhos (clique no nome do vinho se quiser ver a avaliação):

7 – Bouza Tannat A6 2004

A Bouza é uma "Vinícola Boutique" responsável por grandes vinhos que vem, a cada dia, aumentando a fama dos vinhos uruguaios. Nada melhor que a cepa responsável por toda a imagem do Uruguai no exterior para compor esta degustação. Além de vinhas de excelente qualidade, na composição deste vinho são utilizadas apenas uvas da parcela A6, uma das melhores entre os vinhedos da Bouza. São produzidas apenas 3.418 garrafas deste vinho que a cada ano mostra todo o seu potencial de evolução.

8 – Viña Alícia Malbec Brote Negro 2006

Um dos mais renomados representantes daquele que é considerado como o melhor vinhedo argentino: Lãs Compuertas. Um vinho de classe mundial e que recebeu 96 pontos de Robert Parker.

9 – Raka Pinotage 2005

A uva emblemática do país da Copa do Mundo. Um vinho surpreendente originado de uma safra especial.

10 – Schild Estate Shiraz 2005

A Shiraz é a responsável por toda a fama da Austrália e para esta degustação a vinĩcola escolhida foi uma das melhores do país. Se a uva tornou a Austrãlia mundialmente conhecida a Austrãlia foi a responsãvel por difundir muito mais a Shiraz e todo o seu potencial.

Mais uma degustação instigante e instrutiva. Foi também mais uma oportunidade de confirmar a capacidade de adaptação de diversas cepas a locais que às vezes são muito distintos de sua terra mãe. E, acima de tudo, mais uma vez a confirmação de que o mundo do vinho é da inclusão e não da exclusão. Não temos que escolher entre um Pinot da Borgonha ou da Nova Zelândia, entre um Malbec da França ou da Argentina e assim por diante. O melhor para quem gosta de vinho é beber os grandes vinhos das grandes uvas. Deixando de lado o “ou” e obtendo o maior prazer possível do “e”. Vamos beber Malbec da França E da Argentina. Shiraz do Rhone E da Austrália. O que importa é a qualidade.

 

 






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