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1996: O ano que não vai acabar

19/05/2009::Christovão de Oliveira Junior

Se o Champagne para muitos é um vinho de celebração, para mim ele é acima de tudo um vinho de meditação. Celebração, alegria e entusiasmo, acho que estão muito mais ligados a um espumante jovem, fresco e frutado como são, especialmente, os espumantes brasileiros. O Champagne, com sua complexidade, seus aromas e sabores que aparecem em ondas sucessivas, está muito mais para uma degustação que na qual o prazer é diretamente proporcional à atenção e concentração que dedicamos ao vinho.

Desvendar um Champagne exige extremo foco e cuidado. Se formos falar dos Champagnes safrados ou dos Cuvée Speciale, aí então é que o caso se torna realmente sério. Estes vinhos são ainda mais especiais e merecem ainda maior concentração. Beber um Champagne safrado sem dar a ele toda atenção que merece, é no mínimo desvalorizar o vinho.

Minha relação com esta bebida começou a se transformar depois de descobrir os Champagnes de safra. Mudou, então, definitivamente quando fui apresentado ao meu primeiro grande exemplar: Don Perignon 1996 da Moet & Chandon. Literalmente um vinho de se tomar de joelhos, agradecendo a Deus pela oportunidade. Este foi um fato marcante em toda a minha relação com vinhos. Depois dele, beber Champagne passou a ter uma nova dimensão, importância e a merecer muito maior cuidado e foco.

Dois anos à frente, outro marco foi o Champagne Louis Roederer Cristal 1996. Ele me trouxe de volta quase às mesmas sensações que tive ao experimentar o Dom Perignon e, pela primeira vez, me fez pensar com mais cuidado naquele ano que para mim começava a aparecer como especial. Decidi que, sempre que pudesse, não perderia a oportunidade de experimentar os Champagnes daquela safra.

Vieram então Bollinger Grand Anée 1996, Taittanger Comtes de Champagne Blanc de Blancs 1996, Pol Roger 1996, Cuvée William Deutz 1996 e Don Ruinart 1996 para confirmar que aquele ano poderia ser chamado de "O Ano do Champagne". A certeza veio no início deste ano com o Salon Blanc de Blancs 1996, um vinho de cem pontos, sem qualquer dúvida. Alguns enófilos com maior conhecimento podem até dizer que 1928 foi um ano ainda melhor para este vinho especial, mas a eles eu respondo: ah meus amigos, não tive a sorte de conhecer estes vinhos. Então tenho que me limitar a avaliar safras muito mais recentes que esta.

No início de outubro dois outros fatos vieram marcar minha relação com o ano citado. Em primeiro lugar o Wall Street Journal relatou o caso de um investidor americano que perdido no meio da crise mundial resolveu investir 120.000 dólares em 400 garrafas de Chamapagnes 1996 que ele pretende guardar por pelo menos 10 anos para então vende-los com um tremendo lucro. O investidor não deixou de comentar que no improvável caso de o investimento não se revelar lucrativo, ele, no mínimo, poderá beber uma grande quantidade dos melhores vinhos do mundo.

O outro fato foi o encontro com o melhor Champagne que já tomei: um Krug Brut Vintage 1996. Este vinho foi colocado a venda apenas em 2007, ou seja, ficou nas caves da vinícola por 11 anos antes de ser colocado à venda. Este vinho ainda está sendo descoberto por revistas e críticos, mas, com certeza, ainda será considerado como um dos melhores vinhos do século passado. É um vinho que ainda vai evoluir muito e com certeza será enormemente disputado em todo o mundo, tendo em vista que dele foram elaboradas apenas dez mil caixas.

Tudo isto me faz crer que o ano de 1996, que teve um verão longo e muito seco, oferecendo condições perfeitas para o amadurecimento das uvas, pode ser considerado como o mais especial entre os anos especiais para o Champagne. Um ano, que para a nossa sorte tão breve não vai acabar! E, mais ainda, conta com diversos e excepcionais exemplares a serem descobertos, degustados e reverenciados. Um ano que não pode faltar nas adegas daqueles que amam o Champagne.
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