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Confrarias - De Almaden a La Tâche em 30 minutos

09/09/2016::Rodrigo Vieira

Em 20 de julho comemoramos o dia do amigo. Isso só reforçou o que considero um dos maiores prazeres da vida: estar com os amigos! E é melhor ainda se for acompanhado de bons vinhos!

Como educador na área dos vinhos sempre recomendo compartilhar os vinhos, os momentos, as emoções, as impressões, as dúvidas, os custos, em fim, compartilhado fica melhor, bem melhor!

Se você aprecia um bom vinho e tem amigos que que também apreciam, formem uma confraria! Quer coisa melhor do que ter motivo para encontrar os amigos e beber bons vinhos?

Aproveitamos mais o vinho se falamos sobre ele e também quando ouvimos as impressões dos amigos. Acaba que relacionamos o vinho com as companhias, com aquele momento e isso fica marcado em nossas memórias e nos enriquece de conhecimento e experiências.

Outra grande vantagem das confrarias diz respeito a uma das coisas que mais aprecio no vinho, a diversidade. Se você for tomar um vinho sozinho dificilmente abrirá mais de uma garrafa. Já em uma confraria você pode degustar o equivalente a meia garrafa e no final das contas ter provado 7 ou 8 vinhos diferentes. Você pode começar com um espumante, passar por brancos, rosados, tintos e terminar com um fortificado, por exemplo. Pode servir diferentes pratos, com vinhos diferentes e testar as melhores harmonizações. As possibilidades são quase infinitas.

Outro ponto bastante relevante é a divisão dos custos. Já quis tomar aquele vinho super famoso, mas não teve coragem de pagar o preço? Junte os confrades e divida o custo. Você passará a ter acesso a uma maior variedade de vinhos. Vai acumular mais conhecimento e ter mais momentos especiais para se recordar.

Há pouco mais de um mês eu estava preparando minha mudança para Lisboa e encontrei no fundo de um armário uma garrafa de Almadén Cabernet 2001. No rótulo dizia: vinho fino tinto demi sec. Logo me lembrei que foi presente de um amigo, quando inauguramos o apartamento no início de 2004. Foi para o fundo do armário de bebidas e lá ficou esquecido por mais de 12 anos. Então me perguntei: será que está bom, bebível? Como estaria um Almadén 2001 em 2016? Bom, não poderia deixar os amigos fora desta. No próximo encontro eu levo o Almadén.

E assim foi! Eramos 4 no dia! Levei o Almadén e mais um vinho, já que a fama do Almadén não é das melhores e poderia estar perdido.

Alguns torceram o nariz, mas quem é do ramo tem que provar de tudo e a turma não recuou. Dei uma vacilada, devia ter levado a garrafa coberta para bebermos às cegas. Paciência! Para nossa surpresa o vinho estava em perfeitas condições, a rolha parecia de um vinho engarrafado há 2 anos. Tudo bem, era um vinho básico, curto e um tanto amargo, mas estava perfeitamente bebível. Ainda tinha frescor e corpo. Valeu pela experiência! Se fosse às cegas acho que falariam um pouco melhor dele.

Eis que então aparece um outro confrade com 2 garrafas cobertas por papel alumínio. Opa, mais pegadinhas?? Provamos o primeiro, um espetáculo!! Então começam as análises. Fomos unânimes que era velho mundo. França! Tinha uma fruta madura, mas não era Rhône Sul ou Languedoc. Era mais elegante, provavelmente de Pinot Noir. Pronto, Borgonha! Os aromas mostravam madeira muito bem casada com a fruta, especiarias, mineral e muito mais. Complexo, rico e provocante. No paladar era muito elegante, aveludado e incrivelmente longo, interminável. Um vinho de exceção, de sonho. Bom, pelo título do texto você já sabe que vinho era, mas vou dizer assim mesmo, um La Tâche 2006!

O outro vinho era um La Landonne 2005. Um vinho que tem nota 100 do Robert Parker, mas falarei dele em uma outra ocasião.

Quem diria, uma quinta-feira básica, com prova de um Almadén esquecido no armário, terminou com um La Tâche e um La Landonne. Só em confrarias!

Então!? O que você está esperando para formar a sua confraria??

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