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Consideração ao Vinho

31/05/2006::Fernando Moacyr Lisboa

Admirada e cultivada pelos gregos e romanos, bem antes de Cristo, essa bebida milenar do deus Baco, pela sua complexidade, merece uma grande consideração ao ser apreciada e degustada. O vinho contido dentro de uma garrafa hermeticamente fechada, se acha em constantes transformações, é uma bebida viva. Ao ser retirada a rolha, e, numa primeira cheirada, num primeiro gole, pode apresentar características pouco receptivas (fechado, agressivo, duro). Se deixá-lo aberto ou despejá-lo num decanter, ele passará por um processo de oxidação (como se envelhecesse rapidamente), e, meia hora mais tarde poderá ou não ser outro vinho, bem mais aceitável ou na mesma. Ainda existem dúvidas, junto aos estudiosos, sobre essa ação de aeração.

Entre o visual, o cheiro e o paladar de um vinho, existe uma série de nuances, de etapas a serem descobertas, onde os enófilos são submetidos a uma verdadeira sabatina dos seus sentidos (visão, olfato e paladar). Neste particular, deverá ser distinguido: os amantes sérios do vinho, convictos de serem eternos aprendizes; os principiantes, com um potencial de evoluírem; os curiosos, sem grandes probabilidades de crescimento e aqueles, denominados enochatos, gente que acha que sabe tudo, arrogante o suficiente para não aceitar e recuar a uma nova descoberta enológica: os donos da verdade!

Atualmente, em nosso país, o vinho está passando por uma ótima fase, “Re-descobrimento do Vinho”, com o aumento da sua divulgação e o conseqüente crescimento de mais adeptos dessa bebida dos deuses.Na ajuda , no apoio existem revistas, livros, catálogos, congressos, encontros enológicos, etc, passando, vivenciando uma infinidade de informações relacionadas ao vinho. É válido, entretanto, enfatizar que opiniões, pareceres de especialistas em vinho, constituem parâmetros de referência para avaliações definitivas e comercialização de vinhos. No entanto, é oportuno frisar que um degustador, seja em qualquer nível, poderá ou não captar o Muito Bom de um vinho avaliado por esses “experts”. A avaliação de um vinho não pode ser comparada a uma ciência exata, em que os parâmetros avaliados seguem uma lógica matemática. Nestas condições, a sensibilidade pessoal irá fazer o papel de um fiel da balança, no prazer que o vinho irá proporcionar a cada um de per si. É claro que quanto o maior número de vinhos testados, degustados, essa sensibilidade irá sendo, gradativamente aprimorada, burilada. Um risco, entretanto, é o de uma empolgação exagerada, destituída de bom senso, vir à tona e caminhar rapidamente para o surgimento da enochatia, característica que se prolifera a uma velocidade espantosa, naquela postura de um falso padrão de excelência enológica.

A consideração ao vinho pode muito bem ser caracterizada, através da consciência, humildade que cada um deve ter no tocante ao grau de conhecimento enológico, com o propósito de novas descobertas. Que pena do dono da verdade, ao saber tudo, com aquele ar de superioridade, não ter o prazer de novas descobertas! O mundo em que vivemos, sem novos achados, sem novos dados enriquecedores da nossa vida, seria muito monótono. Que lindo é a conscientização em aceitarmos a postura de sermos eternos aprendizes!

Faz-me lembrar: “O conhecimento e a educação sensorial apurada podem obter do vinho prazeres infinitos”- Ernest Hemingway.

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