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Novas uvas em Bordeaux?

24/06/2015::Daniel Chaves

 

Na colheita deste ano pesquisadores de uma das regiões mais tradicionais no mundo do vinho estarão fermentando pequenas quantidades de uvas colhidas em um vinhedo experimental com 52 variedades totalmente estranhas ao seu terroir. O objetivo é encontrar uvas que possam reproduzir o estilo do vinho bordalês caso uma provável mudança climática torne as uvas tradicionais inapropriadas para a produção de vinhos com as características típicas.

Conduzida pelo Instituto Nacional de Pesquisa Agrícola (INRA) e apoiada pelo Conselho do Vinho de Bordeaux (CIVB) a ousada experiência quer deixar a região pronta para introduzir outras variedades, se e quando isto se mostrar necessário.

O primeiro alerta ocorreu em Agosto de 2003, quando uma onda de calor prolongada atingiu a França, gerando vinhos com características de sobrematuração, baixa acidez e longevidade. Há um fundado temor de que, se o clima de Bordeaux seguir nesta direção, as colheitas que antecedem o período ideal (10 de setembro a 10 de outubro) serão cada vez mais comuns. Variedades de maturação mais precoce como a Merlot e a Sauvignon Blanc são especialmente vulneráveis, mas todas as uvas tradicionais podem ter que ser substituídas em um cenário de uma Bordeaux bem mais quente e seca.

Os pesquisadores procuraram uvas em regiões mais quentes da Grécia, Itália, Espanha e Portugal, selecionando 52 candidatas, que fopram plantadas em 2009 em um vinhedo experimental na apelação de Pessac-Léognan. Touriga Nacional, Sangiovese e Assyrtiko são algumas delas. Um dos maiores desafios é entender e analisar como estas castas se desenvolverão neste novo terroir, de forma a apresentar para as apelações aquelas uvas que se entenda capaz de manter a tipicidade do vinho nas novas condições climáticas. 

A partir daí o próximo passo seria a produção, por voluntários, de vinhos que inicialmente iriam ao mercado como "Vin de France". 

A questão essencial é manter as características típicas dos vinhos da região, tais como a capacidade de guarda. E mesmo que se atinja isso ainda haverá a difícil missão de introduzir as novas uvas na apelação, processo longo e comandado com rigor pelo INAO (Institut National de L' Origine et de la Qualité).

Não é de hoje que se fala nos efeitos do aquecimento global na tipicidade dos vinhos, mas esta parece uma medida de vanguarda para uma região tão tradicional, e que certamente gerá resistência entre os franceses. E aí, será que em algumas décadas beberemos um Bordeaux com Touriga Nacional e Sangiovese? Um pouco difícil de acreditar, mas o tempo dirá... 

Fonte: Wine Spectator

 

   

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