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O vinho francês em julgamento

11/12/2009::Christovão de Oliveira Junior


Eduardo Viotti (Brasil) - A imagem dos vinhos franceses ainda é excelente no Brasil. Eles são associados à qualidade, à tradição, à sofisticação e ao glamour apesar do Brasil estar inundado de vinhos franceses de baixa gama e sem apelação definida. Quase todos os países da Europa e da America do Sul investem muito mais em publicidade no Brasil do que a França. Os vinhos sul americanos cresceram muito e se tornaram lideres em 2006.

Jancis Robinson (Reino Unido) - A imagem dos vinhos franceses não melhorou aos olhos do consumidor inglês médio nos últimos dez anos. A Austrália passou a França em numero de vinhos importados pelo Reino Unido, mas nos últimos anos perde prestigio. A França deveria se aproveitar disto.

Enzo Vizzari (Itália) - No curso dos últimos anos os vinhos de qualidade conservaram uma imagem forte, mas as vendas não progridem. Só o Champagne experimenta crescimento continuo.

Simon TAM (China) - Na China começa-se a conhecer os benefícios do vinho tinto para a saúde. Alem disso populariza-se cada vez mais a escala de 100 pontos de Robert Parker que oferece aos consumidores a oportunidade de reconhecer facilmente a qualidade de uma garrafa. Mas, um fato importante é que na China preço é essencial. Na mentalidade de numerosos chineses um produto bom é um produto caro. O que tem bom preço não pode ser bom. Uma prova é o sucesso de Louis Vuitton e outras marcas de luxo adoradas pelos chineses. Chineses querem produtos que representem um estilo de vida elevado, um elemento cultural idiossincrático como o que estabelece os vinhos de Bordeaux, referencia do mercado. De dez vinhos franceses vendidos em Hong Kong, sete são de Bordeaux

Jean Aubry (Quebec) - Em Quebec eu vejo uma ligeira queda na venda de vinhos franceses em função de uma comunicação mais agressiva de países emergentes. Alem disso tem a Espanha que é imbatível no quesito relação qualidadeXprazerXpreço

Robert Parker (EUA) - Até o inicio da crise econômica o preço dos vinhos mais prestigiosos e de produção limitada (Chamapagne, Borgonha, Bordeaux Loire e Rhône) aumentavam de maneira espetacular. Ao mesmo tempo, uma geração mais jovem de ambiciosos produtores começaram a elaborar vinhos de grande qualidade. Isto ocorreu ao mesmo tempo em que uma evolução muito positiva do nível geral dos vinhos de outras regiões: Loire, Rhône norte e sul, Languedoc, Roussilon o sul da Borgonha, particularmente o Mâconnais. Com isso, os consumidores Américas passaram a ter uma visão dual dos vinhos franceses: alguns acreditam que todos os vinhos franceses são caros e difíceis de encontrar, enquanto outros, mais educados e melhor informados, sabem que numerosas regiões francesas elaboram vinhos de qualidade remarcável a preço razoável.

Subhash Arora (Índia) - Na Índia o numero de garrafas de vinho Frances vendidos aumentou, mas sua participação nas importações caiu de 80% há seis anos, para 40% nos dias de hoje. Isto se explica pelo marketing mais agressivo dos países concorrentes.

Joel Payne (Alemanha) - Os últimos dez anos viram a emergência do Languedoc. As regiões clássicas perderam parte de seu mercado. As vendas de Champagne e de Bordeaux, ainda importantes, recuaram. Mesmo Chablis e Sancerre não causam mais o mesmo frisson, talvez devido ao renascimento dos vinhos brancos da Alemanha e à volta da fidelidade nacional por estes vinhos. Uma região que se afirma é o Rhône. Na minha visão esta situação continuará por longo tempo.


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