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O vinho francês em julgamento

11/12/2009::Christovão de Oliveira Junior


Jancis Robinson (Reino Unido) - Espero que encontremos as embalagens mais perfeitas, em particular as vedações mais eficientes para vinhos que usem a garrafa. A viabilidade ambiental e a auto-suficiência energética em todos os aspectos da produção e da comercialização, os quais requerem nos dias de hoje uma resposta séria.

James Halliday (Austrália) - O futuro da indústria do vinho estará ligado aos usos e costumes da Ásia. A China (com Hong Kong, Singapura e Taiwan) não tem mais barreiras religiosas, a alimentação chinesa está bem adaptada aos vinhos tintos e brancos e o rendimento dos consumidores se situará em valores elevados. Tudo isto será bom para o vinho. A Índia (com Malásia e Indonésia) é um pouco diferente, com regiões muçulmanas e uma cozinha que, no conjunto, não é tão fácil quanto à chinesa de harmonizar com vinhos finos.

Robrt Parker (EUA) - A indústria do vinho tem que se aproximar dos consumidores e encorajar o turismo nas regiões vinícolas, conduzindo programas educativos sobre o vinho e se conectando com os consumidores através da internet. Nem mesmo os grandes domaines podem ficar distantes dos seus clientes. Toda produtor tem que ter um site que forneça informações sobre seus vinhos, sua propriedade, sua produção, seu terroir e as safras disponíveis. Aqueles mais inovativos poderão se comunicar com seus clientes via e-mail, o que será bom para os dois. Os sites mais criativos podem e devem estimular fóruns de discussão permitindo e encorajando os retornos de informação e de desenvolvimento de comunidades de amantes do vinho que poderão trocar observações sobre os vinhos do produtor. Espero também poder ver a baixa das taxas de importação dos vinhos no mundo. Sua abolição criará um mercado livre e aberto. Toda região produtora estará submetida à concorrência. Nos temos visto isto ocorrer com um oceano de novos vinhedos aparecendo e levando ao risco da produção exceder à demanda. Isto poderá ter um impacto muito negativo, se não criarmos rapidamente programas de educação do vinho, alem de necessárias mudanças com os consumidores referentes aos prazeres e esplendores do vinho.

Enzo Vizzari (Itália) - O futuro se anuncia difícil, porque ninguém pode antecipar um forte crescimento do consumo. O futuro vai pertencer aos produtores que serão capazes de trabalhar segundo três princípios: qualidade elevada e sem compromissos, castas que aportem ao vinho uma identidade marcada e um marketing que ouça os estudos de mercado e dos canais de distribuição.

Subhash Arora (Índia) - A indústria do vinho vai passar por um período crucial. Será necessário propor ao consumidor um equilíbrio delicado entre os benefícios do vinho e os efeitos nefastos do alcoolismo. Na Índia, o consumo aumentará de 25 a 30% a despeito da recessão. Os preços baixarão enquanto a qualidade vai aumentar. Para ter sucesso, os produtores deverão ter em mente este cenário.

Jeannie Cho Lee (Hong Kong) - De um ponto de vista asiático o desafio crucial que espera os produtores de vinho será a qualidade, do vinhedo à vinícola e do engarrafamento ao marketing. Nos dez próximos anos, a China se tornará um dos maiores produtores. No momento, a indústria do vinho na China tem que resolver inúmeros desafios e em primeiro lugar a falta de compreensão do que seja um vinho de qualidade. O outro desafio é a fragmentação da paisagem vitícola, com os pequenos viticultores que vendem suas uvas às grandes corporações. A maior parte deles jamais beberam vinho e não compreendem que tipo de uva favorece um vinho de qualidade. Muitos continuam a colher muito cedo e também tratam muito generosamente suas vinhas. Na cantina também temos problemas. Mesmo com consultores estrangeiros, muitos empregados tratam o vinho como um produto fabricado, se preocupando com novos equipamentos, mas sem compreender os imperativos de qualidade do produto final. Também na cantina, poucos destes trabalhadores já tiveram acesso ao vinho. Mas, cada vez mais os chineses bebedores de vinho se tornam conhecedores. E, portanto, exigentes.

Bem meus amigos, aqui termina esta resenha. Como disse no início ela tem como objetivo apresentar idéias interessantes para a nossa formação de estudiosos do vinho. Reafirmo que a reportagem é muito mais extensa e que muita coisa importante e interessante ficou de fora. Quem puder ler toda a reportagem, não deixe de fazê-lo. Mais do que discutir a França e seu vinho, muito sobre a produção, qualidade e filosofia envolvendo produção e consumo de vinho está aqui tratado. Santé!


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