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Outras belezas relacionadas ao Vinho

03/05/2006::Fernando Moacyr Lisboa

As belezas do visual, aroma e paladar de um vinho, são inquestionáveis e do conhecimento, até mesmo, dos principiantes da bebida do deus Baco. Entretanto, se a nossa sensibilidade for bem estimulada, iremos descobrir outras riquezas inerentes a uma garrafa de vinho.

Assim, existem formatos padrões das garrafas de vinho, como as de Bordeaux, Borgonha, Alsácia, Champagne, Porto. A par desses padrões, alguns formatos “sui generis” despontam no mercado de vinhos, como os que passamos a exemplificar: a garrafa do Gattinara – Travaglini – Itália, semelhante até certo ponto a uma garrafa borgonhesa, mas com o bojo bem trabalhado em curvas planas irregulares, podendo ser comparada a uma obra do estilo surrealista. A do Franciacorta – Bella Vista – Itália, com o pescoço comprido e bojo amplo, sem a parte cilíndrica e sem ombros, a primeira vista nos faz lembrar uma dançarina bem charmosa. A do Rippon – Chardonnay – Central Lago – Nova Zelândia , com um gargalo longo, sem as reentrâncias dos gargalos tradicionais, inspirando aquela imponência de um oboé. A beleza da garrafa, constitui o primeiro fascínio por um vinho, gerando o seguinte raciocínio: “ se o continente é belo, o conteúdo então...?”

Ainda ligado à garrafa, vem o rótulo do vinho com a finalidade de identificá-lo, no tocante às suas principais características. O fator estimulante de um rótulo, se prende na composição gráfica de alguns, com gravuras, emblemas, figuras, capazes de chamarem a atenção de quem analisa uma garrafa de vinho. Como exemplos poderíamos citar : o Chateau de Marsannay – 1995 – Borgonha – França, com 2 cavaleiros da idade média armados, se preparando para um duelo, separados por um austero brasão. O Chateau Clerc Milon - 1996 - Bordeaux – França, com 2 dançarinos bufões do século XVII. O Esporão Reserva – 1997 – Alentejo – Portugal, com uma gravura do artista plástico português Julião Sarmento, enaltecendo a uva, matéria prima do vinho.O Docetto D’Alba – Renato Ratti – 2000 - Lamora – Itália, com a figura de um soldado, dos anos 1700, armado com um mosquetão. Se formos levar em conta um Chateau Mouton Rothschil – Bordeaux – França, os rótulos são na realidade obras de arte, ilustrados desde 1924, por artistas como Salvador Dali, Henry Moore, Juan Miro, Mar Chagall, Picasso, Wassily Kandinsky e outros mais.

Com o mesmo fascínio que a garrafa, algumas rolhas têm, também, seus predicados. Que surpresa agradável, em, visualizar uma rolha embebida de vinho, mas com cristais de sais de ácido tartárico, distribuídos em toda a superfície final da porção da rolha que fica em contato com o vinho. Que beleza! Como exemplos poderíamos citar as rolhas de um Cave de Amadeu Reserva – Cabernet Sauvignon – 2000 - Rio Grande do Sul e de um Saleinten Roble Malbec – 2003 – Mendoza - Argentina, por mim retiradas, admiradas e atualmente guardadas com todo o carinho. Diga-se de passagem, os cristais continuam firmes em suas posições originais.

Se conseguíssemos um vinho top, com uma garrafa do Gattinara, com o rótulo de um Chateau Mouton Rothschild e com uma rolha com cristais de sais de ácido tartárico, esse vinho antes de iniciar o ritual da visão, olfato e paladar, já mereceria aquela menção “hor-concour”. Se a visão, o olfato e o paladar forem geniais, esse vinho mereceria, então, o máximo, máximorum com louvor, o nectar dos deuses.

Que a nossa sensibilidade seja mais aguçada para novas descobertas enológicas!

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