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A festa de premiação do IV Concurso de Vinhos da Beira Interior e comentários finais

09/08/2011::Christovão de Oliveira Junior

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Nossa viagem terminou em grande estilo. Um fecho de ouro para uma série de visitas espetaculares foi o jantar de entrega dos prêmios relativos ao IV Concurso de Vinhos da Beira. A cidade de Castelo Branco e o Jardim do Paço foram os locais escolhidos para a realização de um jantar de gala no qual foi feita a entrega dos prêmios tão cobiçados por todos os produtores.

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O evento reuniu produtores, técnicos, autoridades, jornalistas e todas as pessoas ligadas á produção e comercialização do vinho da Beira Interior.

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A festa foi um momento de grande descontração e de muita integração entre todos os participantes. A organização teve o extremo cuidado de dividir os convidados pelas mesas de forma que pessoas de um mesmo país ficassem em mesas separadas. Também os produtores foram divididos entre todas as mesas o mesmo acontecendo com representantes da sociedade local. Desta forma tivemos uma grande integração e diversidade nas mesas redondas da bela tenda que foi montada com muito cuidado e extremo bom gosto em um dos ambientes mais agradáveis e bonitos que estivemos em toda nossa viagem.

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Compartilhamos um ambiente de grande camaradagem no qual todos puderam desfrutar de momentos especiais.

Um pouco de Castelo Branco

A cidade de Castelo Branco é sede de distrito e de um dos maiores Concelhos do País, no centro de uma vasta região planáltica, entre as bacias dos rios Pônsul e Ocresa. Castelo Branco deve o seu nome à existência de um castelo luso-romano, Castra Leuca, no cimo da Colina da Cardosa, de onde se desenrolou o povoamento desta localidade, então apelidada Albi Castrum.

A cidade foi conquistada aos Mouros no século XII, e posteriormente alguns domínios foram ofertados à Ordem do Templo, encarregando-os do seu povoamento e defesa, para o que construíram o Castelo da localidade.

Castelo Branco foi-se desenvolvendo ao longo dos séculos, ganhando cada vez mais importância e estatuto de nobre cidade.

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Hoje em dia mantém muita da sua atividade rural, embora a indústria, sobretudo na área dos têxteis, esteja bem presente e desenvolvida, permitindo um crescimento da região, em termos econômicos, físicos e de infra-estrutura.

Cidade histórica Beirã, Castelo Branco possui velhos solares fidalgos, ricas igrejas, amplas ruas e belos jardins. De destaque é, indubitavelmente, o antigo Paço Episcopal do bispo da Guarda, construído em 1596, e o seu famoso Jardim barroco construído em diversos planos, com lagos, cascatas, repuxos e um conjunto de estátuas únicas. No Paço situa-se o Museu Francisco Tavares Proença Júnior, rico em peças arqueológicas, tapeçarias típicas, numismática e pintura quinhentista Portuguesa.

Um dos produtos típicos da região são as colchas de linho bordadas com fio de seda natural, conhecidas como bordado de Castelo Branco, de inspiração oriental, que se tornaram conhecidas a partir de meados do século XVI e constituem um patrimônio regional ímpar.

De grande importância regional é o INSTITUTO POLITECNICO DE CASTELO BRANCO. Instituição pública de alta educação criada em 1980. Responsável pelo crescimento da região e pela melhoria da qualidade de vida nas cidades. Tem como objetivos a qualificação de cidadãos de alto nível, a criação e disseminação do conhecimento, da ciência, da tecnologia da cultura e da excelência artística dos estudantes dentro de padrões internacionais.

Os vencedores do IV concurso de Vinhos da Beira Interior

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Este concurso teve 54 vinhos de 22 produtores das categorias DOC Beira Interior e Vinho Regional Beiras avaliados por 13 jurados especialmente selecionados. O júri em sua avaliação levou à premiação de 9 vinhos com Menção Honrosa, 14 vinhos com a Medalha de Prata e 5 vinhos com a Medalha de Ouro além de escolher o “Melhor Vinho DOC Beira Interior”

Medalha de ouro (produtor)

Quinta Termos Colheita Seleccionada 2008 (Quinta dos Termos)
Quinta Cardo TN 2008 (Companhia das Quintas)
Quinta da Nave 2009 (Soc. Agrícola Três Irmãs)
7 Capelas branco 2009 (Soc. Agro-Pecuária Baraças Irmãos Unidos)
Quinta Arrancada branco 2010 (Paulo Jorge Lalanda)

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Medalhas de Prata (produtor)

Almeida Garrett TN 2009 (Sabe- Soc. Agrícola da Beira)
Quinta da Caldeirinha Aragonês 2007 (Aida Roda)
Quinta da Nave 2008 (Soc. Agrícola Três Irmãs)
Quinta Termos Reserva do Patrão 2008 (Quinta dos Termos)
Alma da Beira Reserva 2009 (Vinolive)
Adega Alto Tejo Reserva 2009 (Adega do Alto Tejo)
Súbito 2009 (Viniregra)
Terras do Marechal TN 2009 (Carlos Luís Almeida Gama)
Entre Vinhas Reserva 2009 (Soc. Agro-Pecuária Baraças Irmãos Unidos)
Vale de Esgueva TN 2009 (Cobelcos Vinhos e Turismo Ltda.
Adega Alto Tejo Selecção 2009 (Adega do Alto Tejo)
Quinta Currais Síria branco 2009 (Quinta Currais)
Castelo Rodrigo branco 2010 (Adega Cooperativa de Fig. de Castelo Rodrigo)
Castelo Rodrigo Síria branco 2009 (Adega Coop. de Figueira de Castelo Rodrigo)

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Menção Honrosa

Vista TR - Rosado - IGP - 2010 / Aliança Vinhos de Portugal SA
Quinta Caldeirinha Cabernet Sauvignon - Tinto - DOP - 2007 / Aida Roda
Quinta Arrancada Reserva - Tinto - DOP - 2008 - Paulo Jorge Lalanda
Raya - Tinto - IGP - 2007 / Horta de Gonçalpares Ltda.
Quinta dos Termos Escolha - Tinto - DOP - 2008 / Quinta dos Termos Ltda.
Quinta dos Currais Colheita Seleccionada - DOP - 2009 / Quinta Currais Ltda.
Pinhel Síria - DOP - 2010 / Adega Cooperativa de Pinhel
João Tição - DOP - 2009 / Cooperativa Agrícola Beira Serra
Quinta do Cardo Síria - DOP - 2010 / Companhia das Quintas SA

O grande vencedor da noite foi o vinho que o júri escolheu como “Melhor DOC Beira Interior”: Quinta Termos Colheita Seleccionada 2008. Ele foi, entre os cinco premiados com a Medalha de Ouro, o de melhor nota.

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COMENTÁRIOS FINAIS.

Conhecer a Beira Interior foi realmente espetacular. A região como um todo, poderia ser descrita como representante de uma importante parte da história viva e vibrante de Portugal. O patrimônio cultural da Beira Interior é inquestionável e parte importante dele é o vinho a sua cultura.

Reconhecer a Beira Interior com o mesmo nível de qualidade de Douro, Alentejo, Dão e Bairrada, para nomear apenas quatro regiões, representa uma longa jornada. Mas ela é viável e o trabalho está sendo feito. Toda longa jornada tem que começar pelo primeiro passo e, justiça se faça, a região já deu muito mais que apenas os primeiros passos. O caminho está traçado e o trabalho desta gente valorosa, com toda certeza, alcançará o seu objetivo em um período de tempo muito menor do que se possa imaginar.

É certo que em três dias muito das belezas naturais, vilas históricas, da rica culinária e dos vinhos não puderam ser conhecidos e explorados. A região é muito maior do que pudemos conhecer mas acredito que o que vimos foi suficiente para que pudéssemos ter uma visão mais do que suficiente da Beira. O processo de renovação de suas vinhas, vinícolas e vinhos já está levando a vinhos de uma qualidade que merecem ser conhecidos, e degustados, por enófilos de todo mundo.

Tenho certeza que o contato foi mais do que suficiente para formar mais algumas dezenas de embaixadores da Beira Interior.

Agradecimentos

Gostaria de agradecer à Comissão Vitivinícola da Beira Interior por esta oportunidade única. Todas as pessoas com as quais tivemos contato, desde o primeiro email, foram não apenas muito profissionais como extremamente gentis e amigáveis. Durante todo o tempo da viagem o suporte e apoio foram constantes e extremamente qualificados.

Os representantes das vinícolas trilharam o mesmo caminho: sempre dispostos a fornecer todas as informações que precisávamos e com uma qualidade e quantidade de informações muito interessante.

Um destaque especial e cuja menção não posso deixar de fazer é ao Sr. Santos Mota que foi um companheiro constante nas degustações e nas mesas durante as refeições. Ele é um dos fundadores da Revista dos Escanções e é, acima de tudo, um enorme conhecedor dos vinhos portugueses, nutrindo por eles uma grande paixão. As conversas com ele foram sempre alegres, instrutivas e muitíssimo agradáveis. Ele foi um dos responsáveis por tornar esta viagem especial. Gostaria muito de ter nova oportunidade para conviver com tão especial amante dos vinhos e da cultura portuguesa. No agradecimento e citação a ele busco representar toda a minha admiração pelo povo português da Beira Interior.

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Quero terminar com algumas informações e comentários sobre algumas das vinícolas sobre as quais tive acesso a um maior número de dados e que, principalmente apresentaram um conjunto de vinhos de grande qualidade.

1 - QUINTA DOS TERMOS

Considero minha obrigação começar por esta vinícola. A qualidade média dos seus vinhos é muito grande; o profissionalismo mostrado por João Carvalho é total e o trabalho do enólogo Professor Virgílio Loureiro é exemplar. Uma propriedade que breve terá o reconhecimento que merece e que já é muito grande. A propriedade é da família há muitos anos, mas a nova cara da Quinta dos Termos foi dada a conhecer por seu novo proprietário com a safra de 2001. O sucesso foi imediato e a propriedade não para de crescer e de angariar reconhecimento cada vez maior a seus vinhos. A vinícola conta hoje com 52 hectares plantados com as seguintes castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz, Trincadeira, Jaen, Rufete, Marufo, Baga, Sangiovese, Syrah, Petit Verdot, Tinto Cão, Vinhão, Síria, Fonte-Cal, Verdelho e Riesling.

Para mostrar a seriedade e o pioneirismo do empreendimento, é importante ressaltar que na Quinta dos Termos existe o único campo de clonagem da Beira Interior, supervisionado pelos professores Antero Martins e Luís Carneiro e apoiado pelo Ministério da Agricultura. Ele tem como objetivo recuperar a quase extinta Fonte Cal, casta branca, tradicional da Beira Interior. Foram resgatadas 206 videiras em toda a região e fizeram-se 15 enxertos com cada uma delas. Dos 3090 enxertos resultantes, serão selecionados os vinte por cento, que servirão para fazer outro campo. Depois serão selecionados 10 por cento, obtendo a casta final. Este processo de recuperação da Fonte Cal tem sido elogiado por vários especialistas.

Quinta dos Termos
(+351) 275 471 070
quintadostermos@mail.telepac.pt

2 - QUINTA DOS CURRAIS

Outra vinícola com uma gama de produtos de bela qualidade. Possui 130 hectares no coração da Cova da Beira entre Gardunha e Estrela. Nesta área estão plantados 30 hectares com castas típicas da região. As principais são: Arinto, Síria, Fonte-Cal, Castelão, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Jaen e Rufete. Pertence a uma família que já está na terceira geração de vitivinicultores. Tem uma moderna cantina capacitada a produzir 180.000 litros de tintos e 30.000 litros de brancos.

Quinta dos Currais
(+351) 914 224 695
quintadoscurrais@gmail.com
www.quintadoscurrais.com

3 - ADEGA COOPERATIVA DO FUNDÃO

Apesar de não ter degustado todos os vinhos que gostaria desta cooperativa os que bebi demonstraram uma bela qualidade. Imagino que o prestígio que seu vinho tem junto a consumidores e publicações sobre vinhos de Portugal seja mais do que justificada. Tem mais de 60 anos de existência e mais de mil associados. Tem uma capacidade de recepção de cerca de quatro milhões de quilos. As principais castas são: Trincadeira, Alfrocheiro, Rufete, Touriga Nacional, Síria, Arinto e Fonte-Cal. O enólogo da empresa é Antonio Madalena e a consultoria é de um dos principais enólogos portugueses, Antônio Saramago. Principais marcas: Praça Velha, Fundamus, Cova da Beira e Alpedrinha.

Adega Cooperativa do Fundão
(+351) 275 752 275
geral@adegadofundao.com
www.adegafundao.com

4 - VINHOS ALMEIDA GARRET

Os descendentes do poeta e dramaturgo português Visconde de Almeida Garrett (1799-1854) têm várias propriedades no distrito de Castelo Branco. Uma delas é uma bela casa situada no alto de uma colina, em meio a muitas árvores e a caminho da qual se tem uma vista deslumbrante da lendária Serra da Estrela. A vinícola familiar, administrada pelo experiente José Alberto de Almeida Garrett, tem 52 hectares de vinhedos, 14 dos quais ocupados por vinhas mais velhas, entre 16 e 70 anos. A produção é de cerca de 300 mil garrafas por ano. O enólogo é o jovem João Perry Vidal que já foi Diretor de Viticultura da João Portugal Ramos Vinhos AS. As castas estão divididas entre: Tinta Roriz, Tinta Barroca e Trincadeira nas vinhas velhas, Touriga Nacional, Trincadeira e Tinta Roriz nas vinhas mais novas em conjunto com Merlot, Cabernet Sauvignon e Syrah. De casta branca a plantação é de chardonnay.

Vinhos Almeida Garrett
(+351) 275 951 726
sabesa@mail.telepac.pt
almeidagarrett@almeidagarrett.com.br
www.almeidagarrett.com.br

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Finalmente, mais alguns vinhos degustados nesta visita especial: (clicar nos vinhos para ver a avaliação)

 

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