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Argentina Maio/2010 – Brincar de Viver

15/10/2010::Christovão de Oliveira Junior

Brincar de Viver

“Você verá
Que a emoção começa agora
Agora é brincar de viver...” (Guilherme Arantes)

 

Entre os dias 6 e 13 de Maio a convite da Wofa (Wines of Argentina) participei de uma viagem por Buenos Aires, Patagônia e Mendoza. Seria a oportunidade para participar de degustações de vinhos de inúmeras vinícolas, bem como visitar umas outras tantas.

A viagem iria acontecer em companhia de dois outros jornalistas que eu não conhecia. Eram eles: João Lombardo, de Florianópolis, e Jackson Brustolin, de Curitiba. Nos encontramos no domingo dia 6 à noite em Buenos Aires e na segunda–feira iniciamos uma maratona de contatos, degustações e visitas.

Nos relatos que aqui vou postar nas próximas semanas vou procurar contar um pouco do muito que fizemos e, principalmente, do rico contato com diversas pessoas de quase toda Argentina que vivem do vinho e para o vinho. Vou tentar dividir com vocês um pouco do muito que vivenciamos.

A viagem foi intensa e repleta de descobertas, conversas instrutivas, conhecimento de bodegas, adegas, restaurantes, vinhedos e principalmente encontros com pessoas que nos fizeram compreender um pouco melhor o vinho e a sua cultura na Argentina. Que nos fizeram, acima de tudo, respeitar de forma profunda todo o grande trabalho que se faz com o vinho e para o vinho neste país fantástico.

Coincidentemente ao retornar a Belo Horizonte, em minha caixa de correio estava o número do mês de junho da revista Wine Spectator. Nele, na crônica de um dos escritores de vinho que mais gosto de ler, Matt Kramer, ele conta que junto com sua esposa havia se mudado por 3 meses para a Argentina. Na coluna uma frase expressa tudo aquilo que sempre pensei e que nesta viagem pude comprovar de forma muito intensa. Disse Matt: “Para entender o que um vinho tem a dizer, viajar para a sua fonte geográfica e cultura que o origina é essencial” e completa que “para realmente entender o vinho é necessário beber profundamente de algo que vai além do próprio vinho”.

É nisto que eu acredito e por isso um dos meus maiores prazeres é visitar diferentes regiões vinícolas. Posso garantir que nesta semana nós realmente degustamos, de uma forma intensa, muito mais que simplesmente diferentes vinhos. Tivemos contato em degustações no nosso hotel em Buenos Aires com diversas pessoas de Salta e San Juan. Depois viajamos para Neuquén onde visitamos diversas Bodegas de San Patrício Del Chañar e do Vale do Rio Negro. Em seguida em Mendoza visitamos diversas vinícolas, inclusive no Vale do Uco e tivemos oportunidade de participar de degustações com cerca de 39 vinícolas. Ou seja, nesta semana de muita atividade tivemos contato com dezenas de pessoas e tivemos oportunidade de degustar mais de 300 diferentes vinhos.

Importante e necessário destacar a imensa camaradagem e simpatia de todos os que nos recebiam. Quase que invariavelmente fomos recebidos por proprietários, diretores e/ou enólogos de todas as vinícolas. Pessoas gentis, atenciosas, orgulhosas de seus vinhos e dispostas a nos oferecer todas as informações possíveis de uma forma sempre muito solícita. Mais que apenas mostrar os seus vinhos eles tinham por objetivo mostrar o potencial da Argentina vitivinícola. Nenhum deles queria nos convencer que o seu vinho era o “melhor do mundo”. Pelo contrário, todos mostravam com muito orgulho todo o caminho que já haviam trilhado, bem como o longo caminho que ainda enxergam no sentido de afirmar perante o mundo mais que a qualidade do vinho argentino e em especial da uva Malbec. Todos querem e acreditam, acima de tudo, na excelência dos diversos terroirs argentinos e na capacidade do país em produzir vinhos de qualidade comparável às melhores regiões vinícolas do mundo.

Digo a vocês que a viagem foi um tremendo sucesso, muito acima das minhas expectativas. Os dias passados em companhia do João e do Jackson foram espetaculares, pois eles são pessoas sensacionais. A facilidade como nos relacionamos facilitou muito o nosso trabalho, que na maior parte dos dias foi intenso e muito cansativo. Mas os dois sempre estavam dispostos a ir fundo nas conversas, nas análises dos vinhos e na troca de informações com produtores e entre nós mesmos.

Foi uma semana de um grande mergulho na cultura vínica deste país vizinho e irmão. Semana de imenso aprendizado, principalmente para três amantes do vinho que sabem que tem muito a aprender e que estavam dispostos a entrar em uma bela jornada de muito aprendizado, mas também, sobretudo de muito prazer.

Um agradecimento imenso a Wines of Argentina, a Cristina Neves que nos apoiou e muito nos ajudou nesta viagem. Finalmente, um agradecimento muito especial às dezenas pessoas que nos receberam de uma forma profissional, atenciosa e, sobretudo muito amigãvel.

 

“Não esquecer
Ninguém é o centro do universo
Assim é maior o prazer...” (Guilherme Arantes)

 

 

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