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Beira Interior – Portugal 2011 – A viagem e a Beira Interior

22/07/2011::Christovão de Oliveira Junior

A Beira Interior busca o reconhecimento e novos mercados

Quarenta convidados internacionais entre jornalistas, empresários ligados ao comércio e importação de vinhos visitaram a região da Beira Interior durante o período do IV Concurso de Vinhos da Beira Interior. A visita foi organizada pelas Associações Empresariais da Guarda e de Castelo Branco e pela Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior.

O objetivo da visita foi contribuir para a divulgação a nível internacional dos vinhos da região, facilitando a sua exportação. Os vinhos produzidos na Beira Interior têm apresentado uma melhoria continua no seu nível de qualidade e começam a despontar em concursos internacionais. Desta forma a região quer ser reconhecida como uma das grandes áreas de produção em Portugal ocupando um lugar que retrate a qualidade de seu produto.

A visita teve apoio do projeto COOPETIR – Cooperação para a Competitividade Empresarial.

A Beira Interior

Antes de entrar diretamente na região visitada é importante ressaltar que todo o centro de Portugal abrange uma denominação genérica chamada Beiras que é sub-dividida em Beira Alta (o tradicional Dão), a Beira Litoral (a importante Bairrada) e a Beira Interior, objeto de nossa visita e relato.

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A Beira interior situa-se no centro de Portugal, entre o Rio Douro a norte e o Rio Tejo a sul, fazendo fronteira a este com a Espanha. É uma região de grande beleza na qual a história harmoniza de forma perfeita com vinhos e gastronomia. Aqui se misturam cidades industrializadas e aldeias históricas, planaltos e serras por onde correm rios que formam cascatas e lagoas de água cristalina e muito fria. É uma região de crescente interesse turístico, especialmente no inverno quando a neve oferece paisagens deslumbrantes.

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Vilas medievais, castelos, ruelas de grande beleza, edificações com as mais diferentes influências arquitetônicas, doces especiais, queijos de todos os tipos e vinhos que lutam por ter o reconhecimento que merecem.

É na Beira Interior que se localiza a maior parte das “Aldeias Históricas de Portugal”. Estas aldeias são núcleos urbanos com fundação anterior à nação portuguesa e que geralmente foram erguidas em terras altas e com grande importância histórica. Monsanto, Castelo Rodrigo, Trancoso, Linhares, Belmonte, Sortelha, Idanha-a-Velha, Castelo Mendo e Marialva são algumas aldeias conhecidas pela grande beleza natural e pelos vestígios históricos que abrangem.

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A paisagem serrana é de uma beleza ao mesmo tempo selvagem e atraente. As serras da Estrela, Gardunha, Malcata ou Marofa contornam além de vales profundos, rios como o Côa e o Zêzere.

A Serra da Estrela e seu queijo

A Serra da Estrela é o ponto mais alto de Portugal com mais de 2.000m de altitude. É uma região com paisagens fantásticas sendo que de sua torre pode-se ter uma vista de quase metade de Portugal. A região possui diversos equipamentos para a prática de esportes de inverno sendo muito grande a presença de turistas nos meses mais frios.

Em quase todos os eventos que participei uma das maiores estrelas (o trocadilho é inevitável) foi o Queijo da Serra da Estrela. Aliás, em diversos momentos da viagem esta Serra podia ser divisada no horizonte. O queijo ali produzido pode ser degustado das mais diversas formas e com os mais diferentes acompanhamentos. Nesta viagem descobri que o doce de abóboras é mais um companheiro perfeito para ele. Só não posso dizer que “comi até cansar” porque é impossível cansar deste queijo. É, sem dúvida, um dos maiores do mundo e motivo de justo orgulho para a região.

Para quem não conhece, o queijo é elaborado em uma região limitada às cidades de Seia, Nelas, Mangualde, Celorico da Beira, Tondela, Gouveia, Penalva do Castelo, Fornos de Algodres e Carregal do Sal. Tem a casca dura e o interior cremoso, sendo considerado como uma das obras primas da gastronomia mundial. É produzido unicamente com leite de ovelha das raças Bordaleira Serra da Estrela e/ou Churra Mondegueira e coalhado pela flor do Cardo, planta nativa da região.

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Uma outra atração da região é a SARDINHA DOCE que é um doce conventual, nascidas das mãos das religiosas de um antigo convento de Trancoso. Por fora levam um tipo de massa tenra, e por dentro leva amêndoas, ovos e açúcar, são fritas em óleo bem quente, passam por chocolate e açúcar granulado e estão prontas! Uma delícia que não pode ser perdida.

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OS VINHOS DA BEIRA INTERIOR

A Beira Interior sempre esteve presente na história portuguesa, sendo que existem vestígios da presença dos Celtas em 25 a.C. A produção de vinho inicia-se durante a ocupação romana mas o seu desenvolvimento mais importante foi no limiar do século XII com os Monges de Cister.

A área de produção abrange as seguintes sub-regiões:

Sub-Região Castelo Rodrigo

Os concelhos de Almeida (freguesias de Almeida, Castelo Bom, Junça, Malpartida e Naves) e Figueira de Castelo Rodrigo (exceto a freguesia de Escalhão).

Sub-Região Cova da Beira

Os concelhos de Belmonte, Castelo Branco, Covilhã, Fundão, Manteigas, Penamacor, Guarda (freguesias de Benespera, Famalicão, Gonçalo, Valhelhas e Vela), Idanha-a-Nova (freguesias de Aldeia de Santa Margarida, Idanha-a-Velha, Medelim, Monsanto, Oledo e São Miguel de Acha), Sabugal (freguesias de Bendada, Casteleiro e Santo Estêvão) e Vila Velha de Ródão (freguesia de Vila Velha de Ródão).

Sub-Região Pinhel

Os concelhos de Celorico da Beira (freguesias de Açores, Baraçal, Celorico da Beira, Forno Telheiro, Lajeosa do Mondego, Maçal do Chão, Minhocal, Ratoeira e Velosa), Guarda (freguesias de Avelãs da Ribeira, Codesseiro, Porto da Carne, Sobral da Serra e Vila Cortês do Mondego), Meda (freguesias de Barreira, Carvalhal, Coriscada, Marialva, Rabaçal e Vale Flor), Pinhel e Trancoso (freguesias de Carnicães, Cogula, Cótimos, Feital, Freches, Granja, Moimentinha, Póvoa do Concelho, São Pedro, Souto Maior, Tamanhos, Torres, Valdujo, Vale do Seixo, Vila Franca das Naves, Vila Garcia e Vilares).

Castas recomendadas:

Sub-Região Castelo Rodrigo

Vinhos tintos:
Aragonez (Tinta Roriz), Bastardo, Marufo, Rufete e Touriga Nacional, no conjunto ou em separado, com um mínimo de 80%, Baga, Tinta Carvalha, Pilongo e Trincadeira (Tinta Amarela).

Vinhos brancos:
Malvasia Fina, Síria (Roupeiro) e Tamarez, no conjunto ou em separado, com um mínimo de 80%, Bical, Arinto (Pedernã), Malvasia Rei, Rabo de Ovelha e Vital.

Sub-Região Cova da Beira

Vinhos tintos:
Aragonez (Tinta Roriz), Baga, Bastardo, Jaen, Marufo, Moreto, Castelão (Periquita)1, Rufete, Tinta Carvalha, Touriga Nacional e Trincadeira (Tinta Amarela), no conjunto ou em separado, com um mínimo de 80%, e Alfrocheiro.

Vinhos brancos:
Alicante Branco, Arinto (Pedernã), Bical, Fonte Cal, Malvasia Fina, Malvasia Rei, Rabo de Ovelha e Síria (Roupeiro), no conjunto ou em separado, com um mínimo de 80%, e Tamarez.

Sub-Região Pinhel

Vinhos tintos:
Bastardo, Marufo, Rufete e Touriga Nacional, no conjunto ou em separado, com um mínimo de 80%, Baga, Tinta Carvalha, Pilongo e Trincadeira (Tinta Amarela).

Vinhos brancos:
Bical, Arinto (Pedernã), Fonte Cal, Malvasia Fina, Malvasia Rei, Rabo de Ovelha, Síria (Roupeiro) e Tamarez, no conjunto ou em separado, com um mínimo de 80%.

É importante comentar sobre três castas utilizadas nos vinhos da região e que podem ser desconhecidas para alguns enófilos:

Síria (Branca) - Sinonímias = Roupeiro, Côdega, Alvadurão e Crato Branco.

A casta Síria é cultivada nas regiões do interior de Portugal. Já foi a casta branca mais plantada na região alentejana, onde é denominada Roupeiro, contudo, verificou-se que as temperaturas demasiado elevadas do Alentejo não eram benéficas para esta casta: os vinhos não tinham frescura, boa acidez e perdiam os aromas rapidamente. Assim, desenvolveu-se o cultivo da Síria nas terras mais altas e frescas da Beira Interior (nomeadamente na zona de Castelo Rodrigo) e Dão (onde a casta é conhecida por Alvadurão, Côdega ou Crato Branco). A Síria é uma casta muito produtiva de cachos e bagos pequenos. Apesar de ser bem resistente ao oídio e ao míldio é bastante sensível à podridão. Os vinhos produzidos com esta casta são delicados, frescos e elegantes. É, com certeza, a responsável por alguns dos melhores brancos da região e quiçá de Portugal em um futuro muito próximo.

Fonte Cal  (Branca) - A casta é oriunda da Beira Interior, sendo essencialmente aí plantada, particularmente na zona de Pinhel. É uma casta de boa produção e de adaptação fácil a quaisquer condições climáticas. Apresenta cachos médios e muito compactos com bagos verde amarelados. Nos vinhos produzidos a partir desta casta dominam os aromas florais e frutados, a boa acidez e um sabor agradável e bem estruturado. Todavia, a casta Fonte Cal é mais utilizada como casta de corte, especialmente com a casta Arinto. É uma casta que está sendo recuperada na região com crescente sucesso.

Rufete (Tinta) - A casta também conhecida por Tinta Pinheira, é essencialmente cultivada nas regiões do Douro e do Dão, e sobretudo na Beira nas sub-regiões de Pinhel, Figueira de Castelo Rodrigo e Cova da Beira. É uma casta produtiva e os seus cachos e bagos são de tamanho médio. É particularmente sensível ao oídio e ao míldio. Esta casta raramente produz vinhos de elevada qualidade, no entanto, se atingir o tempo de maturação ideal (sensivelmente no fim de Outubro) consegue produzir vinhos encorpados, aromáticos e capazes de permanecer muitos anos em garrafa. A casta Rufete só produz bons vinhos em microclimas específicos, como por exemplo o de Pinhel, por isso é utilizada, a maioria das vezes, na produção de vinhos de corte.

As rotas do vinho da Beira Interior

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Características da Região

A Beira Interior é a mais alta região de Portugal e seus vinhos mostram a frescura das montanhas. A altitude joga um importante papel em conjunto com o clima agreste dando aos vinhos muito aroma e uma bela acidez.

Castas - Síria (Roupeiro) e Fonte Cal, castas autóctones da região, são duas castas de grande importância junto com Malvasia, Touriga Nacional e Tinta Roriz. Temos também Rufete, Folha de Figueira, Arinto, Fernão Pires, Mourisco, Jaen e Trincadeira.

Os solos são graníticos ou xistosos e o clima é bastante rigoroso com invernos muito frio e verões muito quentes e secos.

A Beira Interior tornou-se DOC em 1999 resultado da união das regiões de Pinhel, Castelo Rodrigo e Cova da Beira que passaram a sub-regiões.

Com relação à produção de vinhos alguns números importantes são:

  • Área plantada de 16.000 hectares
  • 25 produtores/engarrafadores particulares
  • 5 adegas cooperativas
  • Produção anual de 6 milhões de litros de vinhos DOC e Vinho Regional Beira Interior
  • Exportação em 2010 de 500.000 garrafas principalmente para EUA, Angola, Brasil, China, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha e Luxemburgo
  • Crescimento de 20% nas exportações de 2010 em relação a 2009
  • Além do acima descrito é importante ressaltar que um importante trabalho de reconversão e melhoria de antigas vinhas vem sendo desenvolvido com grande consistência em toda a região. Até pouco tempo boa parte dos viticultores locais vendia uvas ou vinho a granel para grande empresas. A situação se transformou completamente e em 1999 foi oficializada a DOC Beira Interior.

    E, para não dizer que não falamos de vinhos, aqui vão os comentários sobre alguns dos vinhos degustados neste primeiro dia (clicar nos vinhos para ver a avaliação)

  • Castelo Rodrigo Espumante Brut
  • Castelo Rodrigo Síria 2010
  • Castelo Rodrigo Branco 2010
  • Pinhel Síria 2010
  • Quinta do Cardo Seleção do Enólogo 2007
  • Castelo Rodrigo Touriga Nacional 2005
  • Quinta da Caldeirinha Cabernet Sauvignon 2007
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