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Belo Vinho vai ao Priorato

18/01/2012::Rodrigo Vieira e Eloiza Ferreira

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O Priorato sempre despertou minha curiosidade. Uma região muito pequena, terroir diferenciado, vinhedos antigos de garnacha e carinyeña, cortes modernos com cabernet sauvignon, merlot e syrah, produtores talentosos, tecnologia moderna e altas notas da crítica internacional. Não havia outra saída a não ser incluí-lo na nossa viagem a Espanha em outubro deste ano.

Partimos de Barcelona de carro alugado em direção a Gratallops. Na altura de Montblanc passamos a usar estradas secundárias denominadas travessas pelo nosso GPS. A região é bastante montanhosa com predominância de pinheiros e rochas, que formam uma paisagem espetacular. As travessas são tão estreitas que é preciso negociar a passagem com os carros que vem em sentido contrário, mas são pouquíssimos e a viagem foi super prazerosa. O visual nos maravilhava curva após curva. Na altura de Cornudella de Montsant começamos a perceber a Serra del Montsant, com seus tons avermelhados e acinzentados cercados pelo verde da vegetação.

Toda esta área faz parte do Parque Natural de la Serra del Montsant. A estrada segue serpenteando as íngremes encostas e começam a aparecer os terraços e os vinhedos de encosta com uma inclinação inacreditável. Após passar por alguns povoados simpáticos, porém um tanto judiados, chegamos a Gratallops.

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Já eram mais de duas da tarde e fomos direto ao restaurante El Celler de Gratalops da Bodega Clos de L’Obac, que fica logo na entrada da cidade. O almoço foi surpreendente, o cardápio todo em catalão nos deu apenas uma visão geral do que iríamos comer. Optamos pelo Menu Del Celler que começou com pequenas porções de torresmo (só a pele pururucada), chorizo ibérico e um pão artesanal feito com vários grãos, acompanhado do azeite da casa. Começamos bem! Seguimos com creme de aspargos, mexilhões e brotos, pescado com ratatouille, carrilladas de cerdo sobre batatas cozidas com maçã ,cogumelos e mini pimentão frito. De sobremesa, crocantes profiteroles recheados com sorvete, cobertos com calda de chocolate branco e castanha. O vinho foi o Clos de L’Obac 2004, a estrela da vinícola. Gostamos tanto do vinho que marcamos uma visita à bodega para o dia seguinte às 11 horas.

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Ao procurar o Hotel Cal Llop, nos surpreendemos com o aviso “check in de 18 às 24” e como eram 4 da tarde pegamos o carro e fomos fazer um reconhecimento da região. Tentamos visitar a Cartuxa de Scala Dei, mas tinha acabado de fechar, ficou para o dia seguinte.

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Às 18h estávamos na frente do hotel com as malas na mão e o carro estacionado. Ninguém para nos receber! Em frente ao hotel tem um terraço super charmoso com mesas e bancos. Sentamos e esperamos. Em poucos minutos surgiu Cristina, a dona do hotel, que nos alojou em um belíssimo quarto de frente para o terraço e marcou mais uma visita a outra bodega. Encerramos o dia com algumas copas de vino blanco no terraço e um pequeno jantar acompanhado do Imaginació 2005, mais um vinho que fez bonito.

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Pela manhã fizemos um passeio pelo vilarejo para localizar a lojinha de vinhos “L'Agrobotiga” e cotar alguns preços enquanto aguardávamos a hora da visita à Clos de L’Obac.

Os vinhos do Priorato adquiriram muita fama devido às altíssimas notas do RP e conseqüentemente os preços foram no mesmo embalo. O L’Ermita 2004 do Álvaro Palácios chega a mais de 570 euros. Deve ser um dos vinhos mais caros da Espanha junto com o Pingus, mas se cobram este valor é porque há quem pague!

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Chegamos à Clos de L’Obac às cinco para as 11, como todo mineiro que se preze. Fomos gentilmente recebidos por Juan, o diretor, enquanto prensava uvas. Ele nos informou que Isidre, o enólogo chefe, seria o nosso guia. No primeiro contato com Isidre logo percebemos que ele tem uma paixão incrível pelo seu trabalho e seus vinhos. Fala com emoção e profundo conhecimento. Sua filosofia é de interferir o mínimo possível na produção, cuidando para que tudo seja feito no momento certo. Procura seguir a tradição quase milenar dos monges cartuxos, que se instalaram ali em 1151, vindos da França. Sem dúvida há algo de francês nestes vinhos.

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A região é privilegiada pelas ótimas condições do solo, formado pela llicorella, um tipo de xisto exclusivo do Priorato, e pelo micro clima gerado pela Serra Del Montsant. As condições climáticas mudam radicalmente em questão de minutos, o que exige um acompanhamento dos vinhedos muito próximo e constante. Curiosamente, eles mantêm sempre a mesma proporção no corte dos seus vinhos. Isso faz com que cada safra revele um vinho único, o que nos deixa muito curiosos para provar todas que pudermos. A seleção das uvas é feita no vinhedo, não há mesa de seleção. Quem não colhe com critério em um dia, não colhe nos próximos. É uma vinícola com a atenção totalmente voltada para a qualidade. Foi o que os vinhos mostraram ao final da visita.

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Isidre selecionou os 4 melhores vinhos da casa para degustarmos.

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Kyrie 2007 – Um branco da maior importância! Corte de 35% garnacha blanca, 30% macabeo, 30% xarel-lo e 5% moscatel de alejandría, fermentado em barrica. Estagia seis meses em barrica francesa nova. Aromas complexos, boa mineralidade, frutas secas e mel. Larga evolução na taça. Equilíbrio é a melhor palavra para definir este e os próximos vinhos. Tem longa persistência e um bom tempo pela frente.

Miserere 2004 – Corte de 27% garnacha, 27% cabernet sauvignon, 26% tempranillo, 10% merlot e 10% carinyeña. De cor rubi brilhante não mostra evolução, nariz elegante e muito intenso, com frutas vermelhas, notas balsâmicas e minerais. Passa mais de 10 meses por carvalho francês novo. A acidez no ponto não deixa pesar e convida a mais um gole. Muito equilibrado e persistente.

Clos de L’Obac 2004 – 35% garnacha, 35% cabernet sauvignon, 10% shiraz, 10% merlot e 10% carinyeña. Amadurece 10 meses ou mais em barricas francesas novas. Rubi transparente, de estilo semelhante ao Miserere, mas com frutas negras, especiarias e chocolate. Elegante, complexo e bastante equilibrado. Largo final.

Dolç de l’Obac 2005 – Aqui temos algo novo! Um corte 80% garnacha, 10% cabernet sauvignon e 10% shiraz, com 70g/l de açúcar residual. Vermelho granada brilhante. Nariz intenso e complexo sobressaindo fruta madura e um toque de especiarias. Na boca é doce sem ser enjoativo. Muito equilibrado e de final longo. Tem muito tempo pela frente e promete ganhar em elegância e complexidade. Um vinho único.

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O papo estava ótimo e não queríamos ir embora, mas tivemos que sair correndo, pois já estávamos atrasados para a visita à Buil & Giné onde também almoçaríamos.

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Foram só dois dias, bem aproveitados, mas ficou aquele gostinho de quero mais. Na Próxima ida à Espanha...

 

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