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El Pazo de los Albariños

29/06/2012::Rodrigo Vieira e Eloiza Ferreira

Os dias de Rioja e Priorato ficaram para trás. Os destinos agora teriam temas mais turísticos e só voltaríamos às vinícolas nas Rías Baixas, Galicia, no extremo oeste da Espanha.

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No caminho, lugares maravilhosos que não podem ficar de fora dos roteiros do norte da Espanha. Começamos por San Sebastián ou Donostia em Basco, uma das cidades européias com a maior concentração de restaurantes estrelados pelo famoso guia Michelin. Existem opções mais em conta também, os bares de pintxos e tapas, que representam magnificamente a culinária local. Mas não é só a gastronomia que encanta em San Sebastián, a praia da Concha, banhada pelo mar de Biscaia e vigiada pelos montes Igeldo e Urgull é um espetáculo à parte. Recomendamos fortemente a visita!!

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Deixamos San Sebastian a caminho de Oviedo no Principado das Astúrias e decidimos explorar um dos “dez pueblos más bellos de España”, conforme o Frommer's: Santillana del Mar. Um pueblo lindíssimo, muito bem cuidado e preservado. A Colegiata de Santa Juliana, construída no século XII é a mais famosa atração, mas simplesmente passear por suas ruas compensou o desvio. Sem falar na maravilhosa salada de polvo que saboreei no almoço!

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Nossa passagem por Oviedo coincidiu com o dia de La Hispanidad. Todos foram para o centro histórico vestidos a caráter e tocando músicas típicas, uma verdadeira festa!

Oviedo é cheia de encantos. Tem obras de Santiago Calatrava, estátuas de Botero nos passeios e uma culinária deliciosa. A Fabada Asturiana, um prato confortante e apetitoso, é a tradicional representante da culinária local. Existem kits de fabadas à venda em várias lojas. Há também restaurantes como o La Corrada del Obispo, que serve um bacalhau meia cura com bogavante que é simplesmente espetacular. Para completar o prato foi acompanhado de um Gran Ruchel Godello 2006 - DO Valdeorras, produzido com uvas de vinhedos de mais de 50 anos e com estágio de um ano sobre lias. Fantástico!

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Deixamos Oviedo pela manhã com degustação marcada na Pazo de Señoráns às 16 horas. Então programamos uma visita com almoço em Santiago de Compostela, que estava estrategicamente posicionada na nossa rota.

Com sua fama crescente, Santiago tornou-se uma cidade extremamente assediada por turistas. Dezenas, talvez centenas de ônibus despejavam hordas de turistas por todos os lados, nos deixando um pouco incomodados. Conhecemos a Catedral, o marco dos caminhantes, almoçamos e nos despedimos rapidamente de Santiago. Em 40 minutos chegaríamos a adega Pazo de Señorans. Isso mesmo, adega! Em galego não se fala bodega, se fala adega. Estamos nos aproximando da "terrinha".

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Chegamos pontualmente e sedentos por "Belos Vinhos".

Nossa visita começou em campo, com a apresentação do Pazo. Os Pazos Galegos se caracterizam por serem propriedades com capela, hórreo, palomar e ciprestes, símbolos de riqueza da época. O hórreo é um tipo de cilo usado para armazenar grãos, com engenhosas proteções contra ratos e formigas, simples e inteligentes.

No Pazo de Señoráns, além de produzirem excelentes vinhos, oferecem uma belíssima estrutura para grandes e luxuosos eventos. Devem ser festas memoráveis, pois o lugar é maravilhoso.

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Para minha surpresa, os vinhedos são conduzidos em latada, que é o mais comum nesta região, mas já estão fazendo testes com espaldeiras. Vamos aguardar os resultados ansiosos!

Trabalham exclusivamente com a casta Albariño, buscando alta qualidade e longevidade. A frente da vinícola está Marisol Bueno, que é a proprietária junto com seu marido Javier Mereque. Marisol foi a presidente do Conselho Regulador das Rías Baixas de 1987 a 2006.

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Provamos seus 3 vinhos e 2 orujos (aguardente feita com o bagaço).

Albariño Pazo de Señoráns 2009 – vinho jovem para consumo imediato, amarelo bem claro com tons esverdeados, maçã verde e notas cítricas no nariz, acidez vibrante e bem equilibrada com a fruta, ideal para os pratos de pescados galegos e também para o nosso verão tropical. Ótimo vinho, muito saboroso e de “rápida evaporação na taça”.

Pazo de Señoráns Selección de Añada 2005 – Um Albariño de muito respeito, que fica de 30 a 36 meses repousando sobre as lias e mais um ano em garrafa, até ser liberado no mercado. Este período de “crianza” lhe confere uma estrutura formidável. A acidez vibrante parece de um vinho de menos de um ano de colheita. Os aromas complexos equilibram frutas brancas, cítricas e marcante mineralidade. Tem ótimo corpo e longa persistência. Ainda é um garoto, com longa vida pela frente. Um vinho especial.

Sol de Señoráns 2006 – É um Albariño diferente, com seis meses de passagem por madeira, um ano em pipas de aço inox e um ano em garrafa. Aqui a acidez foi domada pela madeira, que arredondou o vinho lhe tirando um pouco a tipicidade, mas tornando-o interessante e muito agradável. Aparecem leves aromas baunilha mesclados com a fruta e a mineralidade. Tem bom corpo e persistência. Ótimo vinho.

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Os “Orujos” não eram nosso foco e ainda tínhamos uns quarenta minutos de estrada pela frente, mas não havia como recusar. Começamos com o Pazo de Señoráns Aguardente de Orujo de Albariño, da D.O. Orujo de Galícia, potente e intensa com agradáveis aromas doces, 42º de álcool. Já o Pazo Señoráns Aguardiente de Hierbas é "amarelinho", como diriam os apreciadores de cachaça, devido à maceração com sementes e ervas secas. Seus aromas são interessantes e instigastes. Um ótimo digestivo!

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Terminamos a visita "animados" e pegamos a estrada para Pontevedra, onde pernoitaríamos, para no dia seguinte partirmos para Portugal.

Mais uma vez a Espanha vai deixar grandes saudades, as pessoas, os lugares, os vinhos, a comida, o estilo de vida... É um país maravilhoso que merece ser visitado muitas e muitas vezes. Voltaremos!!!

Por outro lado, a expectativa quanto a Portugal era grande. Cruzaríamos a região do Minho rumo ao Porto, passando por Viana do Castelo e Braga. Dois dias depois partiríamos para a região do Douro, mas esta história fica para o próximo relato!

 

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