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Itália

01/09/2005::Christovão de Oliveira Junior

Piemonte – Primeiras Sensações

Viagem de um neófito à Enotria

Enotria, assim os antigos chamavam o que hoje é a Itália; Enotria, o país do vinho. Para quem gosta de vinho, vir à Itália, especialmente ao Piemonte, é o mesmo que oferecer a qualquer garoto que anda de Kart, e sonha ser um novo Airton Sena, uma Ferrari. Piemonte é a terra do Barolo, do Barbaresco, do Dolcetto d`Alba, etc, etc.

Depois de doze horas, descer em Milão já trouxe um sentimento novo, misto de alegria e ansiedade. Passar por alfândega, troca de moeda e o aluguel de um carro foi um sofrimento. Saí do aeroporto quase às 18horas e me dirigi imediatamente a Monferato para o meu Bed & Breakfast que tem o sugestivo nome de Profumi!! Tive de conter o pé no acelerador pois a vontade de chegar era imensa. Começo a me deliciar com as paisagens italianas. Um por do sol de um vermelho intenso me saúda, como a prenunciar dias de prazer e de deslumbre. Assim que saio da auto estrada Milano-Genova, começo a ver placas relativas ao vinho, à Estrada do Vinho, a Enotecas, Cantinas.......ao paraíso!! Me divido entre a vontade de parar e seguir para o merecido banho. Paro em um sinal e olho para um bar no qual, em mesas na calçada todas as pessoas estão bebendo vinho. De repente um senhor ergue uma taça em uma saudação em minha direção. Foi o sinal divino, decisão imediata. Parei o carro na primeira vaga e me dirigi ao bar. Ia sentar em uma mesa sozinho, mas o senhor que me saudou, acompanhado de outros três, me olhou como se eu o tivesse ofendido. Fizeram questão que me sentasse com eles, principalmente quando souberam que eu era brasileiro. Foram duas horas de conversa sobre vinho, futebol e mulheres. Conversa numa mistura de italiano, português e espanhol. Conversa regada a Dolcetto d`Alba, seguido de Barbaresco e finalmente dois Barolos. Ainda bem que meu B&B estava a apenas 15 minutos de distância. Antes de sair do bar, resolvi levar um Franciacorta para servir de comemoração e para me ajudar a vencer o fuso horário. Se eu fosse dormir à uma da manhã, para meu corpo seriam ainda 20horas. Portanto nada mais justo, e diga-se de passagem, mais prazeroso que este Franciacorta. Levei já gelado e ao chegar coloquei na geladeira enquanto tomava o merecido banho. E depois, da sacada do quarto, vendo as silhuetas das parreiras de Barbera.......o Franciacorta, espumante merecidamente louvado pelo mestre Julio Anselmo. Nem mesmo o frio que fazia foi capaz de me fazer entrar para quarto. O espumante e as emoções eram suficientes para aquecer o corpo e a alma.

Primeiro dia de Piemonte foi um contato com a neblina ( Nebbia ) que dá sua raiz à uva Nebbiollo. Parreiras e mais parreiras carregadas e encobertas pela névoa. Paisagens de sonho. Ouço o som do Zeca Baleiro cantando “Ando tão a flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar....ando tão a flor da pele que minha vontade se confunde com o desejo de nem sei....” e penso que sei bem o que ele quer dizer. Pena não ter com quem dividir esta emoção; por pouco tempo, amanhã um amigo do Belo Vinho estará aqui para dividir parte desta jornada.

Estou a pouquíssimos quilômetros de Alba, Asti, Barbareso e Barolo; Sou atraído pela mística e me dirijo para Barolo que apesar de tão perto, custa a chegar. Custa a chegar pela ansiedade e custa a chegar pelos inúmeros vinhedos, enotecas, vinícolas e bares que oferecem degustação pelo caminho. Penso em vocês aí do Brasil que se aqui estivessem estariam tão felizes e emocionados como eu. Vou parando, vou bebendo, vou me extasiando.

Não resisto e colho uvas ( poucas ) a cada vinhedo que passo; elas estão ao lado da estrada sem qualquer cerca que as proteja. Saboreio cada uma delas como se estivesse experimentando um néctar dos deuses. Quem foi que disse que uva vinífera não é própria para consumo como as uvas de mesa ?

Chegar a Barolo foi uma mistura das melhores emoções possíveis. Só quem gosta de vinho pode entender. De novo, diversas degustações, muita conversa numa mistura de italiano-portugues-ingles e espanhol, que no fim dá certo; o vinho tudo torna fácil. Pelo menos hoje, ser brasileiro, também tudo tornou fácil; muito interesse por nossa terra, nosso futebol, nosso carnaval. Muitos me disseram que diversos brasileiros vem por aqui. Felizes brasileiros, como eu.

Almoço em um pequeno e aconchegante restaurante em companhia de três finlandeses e dois espanhóis e experimentamos quatro safras de um mesmo Barolo. Se me perguntarem que língua falamos, a única resposta é: a língua do vinho!!!

Depois do almoço, tenho que parar e ler um livro que acabei de comprar pois dirigir após tanto vinho seria um risco desnecessário. Após alguma leitura e algum cochilo, vou para La Morra, cerca de 10 minutos de Barolo. Aqui, depois de mais quatro ( ou cinco ou seis ? ) degustações, o sol começa a vencer a névoa às 17 horas. Do alto de La Morra pode-se ver Barolo, Monforte, Alba, Langhe, Barbaresco........oh meu deus, quero ficar por aqui!!!

Bem, para primeiras impressões, acho que já fui longe demais. Vou voltar para o meu B&B, para beber um dos Barolos que comprei e escrever para os amigos, pois amanhã, outro dia de visitas virá. Arrivederci!!!



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