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Itália

01/09/2005::Christovão de Oliveira Junior


Piemonte II

Descobrindo o Piemonte – Novos e raros prazeres para os sentidos e para o espírito.

Mais três dias no Piemonte, de puro êxtase. Estas colinas trazem imenso prazer a todos os sentidos. Paisagens magníficas, vinhos espetaculares, aromas e sabores inebriantes.

Prazeres que não se prestam a serem narrados, apenas vivenciados. Entretanto vou tentar compartilhar um pouco das minhas emoções.

Aqui todos os caminhos levam ao vinho. Nas cidades maiores, como Asti e Alba, cada vitrine, seja de roupa feminina, de sapatos, de bolsas, de eletrônicos ou de qualquer outra coisa, possui também suas garrafas de Barolo, Barbaresco, Nebiollo, Dolcetto, etc. O vinho faz parte da cultura e do dia a dia de quem vive no Piemonte. Falar de vinho significa abrir portas, abrir corações. Quem vive no Piemonte é, acima de tudo, orgulhoso de sua terra, de sua culinária e, principalmente, de seus vinhos.

Poder experimentar um Barolo na adega ( nos subterrâneos ) do Castelo de Barolo, é sentir, por fugazes momentos, a magia e o prazer que dificilmente se repetirão.

Algumas pessoas me pedem para comentar sobre os vinhos que venho tomando, mas vou resistir a esta tentação. O vinho é uma bebida viva em diversos sentidos. Viva, porque evolui constantemente, na garrafa e no copo. Viva porque traz, em si, o sonho daqueles que plantaram, cuidaram e colheram a uva. Viva porque traz, em si, o trabalho, os desejos e o sonho de seu enólogo. Mas, acima de tudo, é uma bebida viva, porque faz com que aquele que a degusta, experimente momentos de ine(eno)briante emoção. Degustar um vinho, é muito mais que apenas sentir todas as emoções relativas à bebida. Degustar tem forte parcela do ambiente. Beber um Barolo, nas adegas do Castelo ou nas instalações centenárias da Cantina Pio Cesare, no centro histórico de Alba, é experiência única e para a qual não se pode dar uma nota. O vinho, nestes locais, possui aromas e sabores que extrapolam o convencional, que vão além do que conhecemos. Aqui, o vinho possui sabores e aromas de tradição, de história, de terra, de suor e de sonhos. Estes aromas e sabores, não podem ser avaliados ou julgados, apenas podem ser vivenciados. Avaliar, dar notas a estes vinhos seria uma insensibilidade, um sacrilégio. Vamos nos contentar, então, com o prazer da degustação.

Alba, Asti, Barbaresco, La Morra, Barolo, Acqui Therme, Brachetto d’Acqui, Barbera dÁlba, Barbera d’Asti, Dolcetto d’Alba, Dolcetto d’Asti, e muitas outras, são todas regiões demarcadas que estão a 30 ou no maximo 40 minutos de carro, se formos direto ao destino. É importante dizer o “se formos direto”, pois é quase impossível “ir direto” a qualquer lugar. A cada quilometro se vê a placa de uma Enoteca, de uma Cantina ou de uma Azienda Agrícola. Em cada uma delas se pode fazer uma degustação. Em cada uma delas existe um pequeno produtor orgulhoso do seu vinho, o “melhor do Piemonte”. Com raras exceções, as vinícolas em geral são pequenas propriedades de 4 a 15 hectares. Muitas Cantinas são inteiramente novas, enquanto outras são centenárias. Todas elas impondo a seu vinho, o trabalho e as aspirações do seu produtor.

Na visita à Pio Cesare que é a única vinícola a possuir instalações no centro histórico de Alba, visitamos a adega que esta em um nível abaixo das águas do rio Tanaro e que é mais antiga que o nosso Brasil. Aqui, conhecemos garrafas de vinho da família, que datam de 1800 e são consideradas verdadeiras relíquias. Cesare Benvenuto nos contou que a garrafa mais antiga que se abriu, no último ano, e que foi bebida, foi um Barolo de 1922 aberto para comemorar o aniversário de sua avó, que havia nascido naquele ano!!! Isto é tradição, isto é orgulho de família!!! Isto é o Piemonte.

Nesta época do ano, se realizam na região festas para o Tartufo, as famosas trufas do Piemonte. Aqui, podemos degustar diversos tipos de pães, massas, presuntos, rizotos e outros diversos produtos trufados; azeites, pastas e temperos trufados. A combinação de pratos com trufas, sejam elas negras ou brancas (as mais valorizadas ), com os vinhos do Piemonte, levam a prazeres inimagináveis.

Alem das trufas, os diversos funghi, que, pelo tamanho, mais parecem saídos de ilustrações de histórias infantis, trazem sabores aos pratos que jamais se poderá esquecer.

Muitos prazeres, muitas emoções, novas sensações se originam nos caminhos do Piemonte. Percorrer estas colinas significa desfrutar de emoções e de prazeres novos e raros. Raros e especiais como a trufa, raros e especiais como o vinho do Piemonte.

Viva , Piemonte!!!



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