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Modernos Riojas

15/02/2012::Rodrigo Vieira e Eloiza Ferreira

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Já havíamos estado na Rioja em 2009, mas o nosso encantamento foi tal que resolvemos explorá–la um pouco mais em 2011. Parece que a presença da Sierra de Cantabria traz conforto e segurança para nós belo–horizontinos, tão acostumados à Serra do Curral e às montanhas de Minas.

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Desta vez agendamos com antecedência nossa visita a uma bodega famosa por seus vinhos de estilo mais moderno, diferente dos reservas e gran reservas tão tradicionais na Espanha.

Partimos de Gratallops, no Priorato, cinco horas antes da nossa visita à Artadi Viñedos & Vinos na Rioja Alavesa. Engatamos a sexta marcha no nosso Opel alugado, cruzamos o meridiano de Greenwich e chegamos a Laguardia.

Já era pouco mais de duas da tarde e precisávamos comer antes de iniciar a visita. Ao contrário dos dias de “verão” em pleno outubro, que pegamos em Gratallops, o tempo estava nublado, com uma leve garoa e a temperatura em torno 10°C. Tiramos os casacos da mala e fomos procurar um bar ou restaurante para fazermos uma boquinha.

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Paramos na Hospederia de los Parajes, que por fora parecia ser o tipo de lugar que procurávamos, mas se revelou bem mais requintada internamente. Nosso tempo estava no limite, então resolvemos comer ali mesmo. Uma senhora, que parecia ser a proprietária ou a gerente, nos convidou a conhecer as caves subterrâneas enquanto esperávamos os pratos. Não era à toa que ela tinha uma expressão de orgulho e confiança no rosto. Depois de descermos 2 andares abaixo do nível da rua chegamos a um bar de vinhos e dele às caves. A decoração simples, atenta aos detalhes e a iluminação bem projetada, fez de cada curva um ambiente agradável para se apreciar um bom vinho. Barricas usadas serviam de mesas e uma prensa antiga aproveitava de uma área mais aberta para apoiar um grupo maior. Estávamos nas “entrañas de Laguardia”. De volta ao restaurante, os pratos estavam servidos, a Lô se deliciou com maravilhosas vieiras ao pesto e legumes salteados e eu comi o que considero uma combinação perfeita: pimientos de piquillo ao azeite e alho acompanhados de anchoas del cantábrico.

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Na hora marcada estávamos na Artadi. Ao chegarmos o portão se abriu, parecia que já estavam nos esperando, mas foi porque alguns funcionários estavam chegando do almoço. Aproveitamos e nos dirigimos à recepção. Enquanto esperávamos, um senhor elegantemente vestido passou apressado por nós e nos disse já seríamos atendidos. Fomos recebidos pela simpática Ana Izabel Rodrigues. Animada, nos disse que tivemos muita sorte, pois estavam em plena colheita e poderíamos acompanhar todo o processo de recepção e seleção das uvas.

Ana fez uma apresentação geral da Vinícola. O trabalho nos vinhedos é baseado em uma agricultura auto-sustentável, ecológica e biodinâmica. A Tempranillo reina sozinha na maioria dos tintos. As uvas vêm de 21 pagos, sendo a maioria de propriedade da Artadi. Os que não são próprios seguem a mesma linha de trabalho e são acompanhados de perto.

As instalações da Artadi não tem o apelo estético, com projetos de arquitetos de renome mundial, como algumas bodegas famosas da Rioja. Seus investimentos estão focados nos vinhedos, mas há planos para novas instalações em um futuro não muito distante.

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Passamos por um grande galpão onde estavam as barricas de amadurecimento dos vinhos e logo chegamos à área de recepção das uvas. Estavam em plena atividade: empilhadeiras passando, mangueiras sendo atravessadas, mesas de seleção vibrando e muita gente trabalhando. Curiosamente uma mesa só tinham duas pessoas selecionando cachos num ritmo bem mais lento. Uma das pessoas era o senhor que passou por nós na recepção. Ana nos explicou que era o proprietário e enólogo, Juan Carlos, avaliando pessoalmente os cachos provenientes do seu pago mais importante, o El Pisón. É incrível o cuidado e atenção que eles têm com estas uvas. As esteiras não se movimentam continuamente, cada cacho é atentamente examinado e as uvas que não estiverem dentro do padrão do El Pisón são descartadas. Não é de se estranhar que a Wine Advocate, do crítico de vinhos Robert Parker, tenha concedido a nota máxima ao Viña El Pisón 2004.

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Ana nos convidou a provar mosto que estava fermentando há 8 dias. Era frutado, doce, adstringente, ácido e gasoso. Valeu pela experiência!!

Chegou a hora mais esperada da visita, a degustação. Ana separou os três tintos mais importantes da vinícola para provarmos. No meio da conversa ficamos sabendo que eles também produziam um vinho jovem, de maceração carbônica. Seus cachos são fermentados inteiros. Não foi preciso a Ana insistir para que iniciássemos esta belíssima degustação com este vinho.

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Artadi Jovem 2010, o Beaujolais da Artadi nas palavras da Ana, é um campeão na sua proposta de acompanhar a bela culinária da Rioja. Tem um toque extra de acidez, que elegantemente lava a boca a cada gole. Boa pedida para tapas, pintxos, bocadillos... Passamos ao Viñas de Gain 2008 que, como o jovem e os demais, é 100% de uvas tempranillo. Suas uvas provem de pagos de mais de 25 anos. Impresiona pela potência, estrutura e equilíbrio. A madeira faz um belo conjunto com a fruta e com o toque de balsâmico. Com o Pagos Viejos 2006 subimos um degrau importante. Mais opulento, intenso e muito equilibrado. Tem aromas complexos e provocantes. Enche a boca e deixa um longo final. É um vinho de exceção. Depois deste, não conseguíamos imaginar como o Viña El Pison 2006 poderia ser melhor ainda. A resposta veio como um tapa de luvas de seda. Elegância e harmonia deram um show naquela impressionante exibição de músculos. Um conjunto muitíssimo equilibrado com aromas deliciosos e intermináveis. Um vinho que não convida a mais um gole, mas sim a mais uma garrafa. Uma obra de arte!

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Despedimos–nos de Ana com largos sorrisos nos rostos. Foi uma surpreendente visita, que jamais será esquecida.

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Finalizamos com mais um passeio em La Guardia, com direito a uma pequena surpresa: o “relog” da praça da Prefeitura proporciona, de hora em hora, uma linda apresentação! Pequenas portas se abrem e bonecos dançarinos saem bailando sob os olhares dos turistas maravilhados! É a Rioja nos encantando e nos chamando a conhecê–la um pouco mais!

 

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