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Os Reynolds e o Alentejo

22/09/2015::Rodrigo Vieira

 

A noite passada foi fria com um pouco de chuva, mas o dia amanheceu claro, limpo e inspirador. A vegetação molhada da chuva noturna explodia em cores vivas com a luz do sol. Saímos de Évora com tempo de sobra a caminho da Herdade da Figueira de Cima no conselho de Arronches, distrito de Portalegre. O clima desta região é influenciado pela Serra de São Mamede, que agrega frescor ao cálido Alentejo e consequentemente ao vinho desta zona.
Mais uma vez o GPS nos guiou por caminhos mais lentos e em compensação muito mais bonitos. As estreitas estradas serpenteiam pelo esplendoroso montado alentejano e pelas lindas herdades, tornando a viagem de pouco mais de 100 km muito agradável.

Na chegada fomos recebidos por Nelson Martins o enólogo e responsável pelos belos vinhos produzidos na Reynolds.
Nelson falou um pouco dos vinhedos, que tem posição privilegiada numa encosta com boa exposição ao sol e solo xistoso. Esse terroir favorece uma boa maturação das uvas sem perder o frescor. São cultivadas as castas: Arinto e Antão Vaz (brancas); Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, Syrah, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional e Alfrocheiro.

Passamos à sala de prova onde pudemos apreciar algumas fotos antigas e entender um pouco da história dos Reynolds. Eles que chegaram no Alentejo em meados do século XIX, interessados na exploração de cortiça e pouco depois passaram também a produzir vinhos. Julian, que mais tarde se juntou à nós, já é a sexta geração e seu filho Carlos está a seguir seus passos. Uma grande contribuição dos Reynolds para a produção de vinhos de qualidade foi a introdução da Alicante Bouschet no Alentejo, casta que se adaptou muito bem nesta zona e hoje está presente no corte dos grandes vinhos alentejanos.

Na adega, envolvidos pelo delicioso aroma de fermentação, encontramos grandes cubas de carvalho francês ao estilo de Bordeaux, onde fermentam os tintos. Os vinhos tem um carácter muito bem definido, sendo divididos em 3 marcas. A Carlos Reynolds, sem amadurecimento em madeira, mas de fruta de ótima qualidade e bom equilíbrio. A marca intermediária, Julian Reynolds, de mais estrutura, madeira bem integrada e maior complexidade e a Gloria Reynolds, marca top da vinícola, cujo vinho é proveniente de vinhas velhas e é engarrafado apenas nos anos de resultados excepcionais, onde encontramos um conjunto equilibrado, de grande estrutura e longevidade. O 2005 que provamos não mostrava nada dos seus 9 anos de safra. 

Passamos à prova que aconteceu diante de uma interessante mesa de ardósia, com um pequeno chafariz e um caminho d'água que terminava em uma cuspideira. Muito engenhoso. Nelson se desculpou por não ter os brancos na temperatura adequada, mas gentilmente nos pesenteou com um Carlos Reynolds Branco e um Julian Reynolds Arinto, desta forma poderíamos programar a prova e tê-los na temperatura correta. Como sempre a gentileza dos portugueses é exemplar.
Partimos então para a prova dos tintos.

Carlos Reynolds Tinto 2011
Julian Reynolds Reserva 2008
Julian Reynolds Grande Reserva 2006
Gloria Reynolds 2005

Ao final da degustação chegou o Julian, que havia sido detido por um imprevisto, mas fez questão de nos encontrar. Foi uma ótima e rica conversa. Encontros com pessoas como o Julian e o Nelson são de grande valor e nos trazem cada vez mais para perto do vinho. Conhecemos também o Carlos, que seguirá os passos do pai a fazer vinhos espetaculares. Foi uma visita grandiosa!! Terminamos com uma frase do Julian sobre seu vinho: "uma seda na boca e uma explosão no peito".

Com a fome apertando, encaramos um almoço tardio em Arronches no Restaurante A Estalagem, indicado pelo Julian. Lá fomos apresentados ao Lacão Assado ao Forno! Um pedaço da canela do porco preto que derrete na boca. Mais uma gentileza do Julian!

Voltamos para casa mais encantados pelo Alentejo!
 

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