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Os vinhos da Ilha de Santorini - Parte II

15/03/2017::Daniel Chaves

Depois da ótima visita à Gaia Wines, tomamos o rumo do norte da Ilha de Santorini, onde mais tarde tinhamos uma visita já agendada com outro excelente produtor, a Domaine Sigalas, representada aqui no Brasil pela Decanter. Entretanto, felizmente o horário nos permitiu fazer uma visita não programada no caminho e aproveitamos para conhecer a Vassaltis Vineyards e seus vinhos.

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Ela nos foi indicada por pessoas de Santorini que trabalham com vinho, e descrita como uma vinícola jovem e inovadora. Uma delas chegou a compara-la a uma vinícola de Napa Valley. Bom, guardadas as devidas proporções, até que dá para entender a comparação: a sede da vinícola tem um estilo moderno e "clean", tanto na parte externa quanto no agradável winebar, de onde também se pode avistar a área de vinificação por uma grande área envidraçada, com reluzentes tanques de inox novinhos em folha. Ela tem um porte grande para os padrões de Santorini, mas está muito mais para uma bela vinícola boutique do que para a grandiosidade (às vezes impessoal) que se vê em Napa.

A Vassaltis foi fundada por um grupo de jovens enólogos, com experiência prévia em outras vinícolas gregas e no exterior, como a M. Chapoutier. A sua proposta é fazer vinhos de classe mundial com uvas autóctones, unindo as práticas tradicionais que fazem dos vinhos de Santorini únicos com algumas técnicas modernas utilizadas para se alcançar um maior nível de qualidade. 

A degustação de seus vinhos mostrou um resultado muito bom para uma vinícola tão jovem. Acompanhando um prato de queijos gregos, a prova iniciou com o Nassitis, um corte de Aidani, Athiri e Assyrtiko. Um bom vinho de entrada, fresco e mineral.

  

Depois passamos à casta que mais me encanta nos vinhos de Santorini (e porque não dizer da Grécia), a Assyrtiko, e foi possível fazer uma comparação entre duas safras. O 2014 foi o primeiro vinho elaborado pela casa e impressiona pela excelente qualidade, se assemelhando a um bom Riesling. É complexo, com alguns toques oxidativos discretos e uma ótima harmonia entre fruta e mineralidade. Não recebeu adição de sulfitos, o que explica a evolução um pouco mais precoce.

O 2015, por sua vez, se mostrou expressivo e com boa tipicidade, bom volume de boca, uma acidez vibrante característica e uma salinidade bastante acentuada. É a Assyrtiko em uma de suas melhores formas, um resultado bastante impressionante para uma vinícola tão jovem.

  

Na sequência provei o Assyrtiko barricado (barrel aged), que tem bons predicados, apesar de pessoalmente preferir a versão “unoaked”. O carvalho não chega a ocultar a fruta, mas me parece que o vinho pede um pouco mais de tempo para se integrar melhor. Como esperado, é um vinho mais denso e cremoso, mas a mineralidade e a bela acidez da casta estão lá.

Dentro da proposta de valorizar variedades locais, a Vassaltis é uma das poucas vinícolas que elabora um varietal Aidani, casta que normalmente entra em cortes com a Assyrtiko para suavizar sua acidez cortante e acrescentar agradáveis notas florais. Apenas 700 garrafas foram produzidas deste vinho bem perfumado, macio e de bom frescor.

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Fechamos a degustação com o tinto, o Vassanos, um 100% Mandilaria – casta que produz vinhos tânicos e não muito encorpados. Eu jamais pensaria em usar isto como um descritor aromático, mas o nariz remete claramente a molho barbecue (e quem estava nos servindo não só concordou como disse que o último cliente falou exatamente a mesma coisa). No palato mostra um perfil gastronômico e um pouco rústico, com acidez alta e taninos ainda ariscos. Bem interessante, mas os brancos de Santorini, secos e doces, são os vinhos que realmente chamam a minha atenção.

O papo estava ótimo mas o horário da visita à Sigalas já se aproximava. Hora de pegar o carro e seguir na direção da linda Oia. Mas isso é papo para o próximo relato...

 

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