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Decanter Wine Show

20/07/2012::Daniel Pedrosa Chaves

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No último dia 29 de junho Belo Horizonte recebeu o Decanter Wine Show, um grande evento de vinhos da Importadora Decanter, que já está em sua 4ª edição. Foi uma oportunidade espetacular para profissionais e apreciadores de vinho não só por nossa cidade carecer de eventos dessa magnitude, mas principalmente pelo alto nível de organização, seleção de vinhos e vinícolas e pela rara possibilidade de conversar diretamente com os produtores dos vinhos apresentados. Foram aproximadamente 70 produtores do velho mundo e mais de 400 vinhos das regiões tradicionais às menos conhecidas, dos vinhos clássicos aos vanguardistas, exibindo cortes variados e cepas raras e surpreendentes.

Planejei focar em vinhos desconhecidos para mim além dos de regiões menos tradicionais, mas foi inevitável revisitar alguns clássicos.

Aqui vão alguns breves destaques:

ANSELMO MENDES: sempre simpático e festejado, Anselmo Mendes extrai da Alvarinho toda a sua expressão, em nuances diversas. O Muros Antigos é sempre sedutor, com belo corpo e mineralidade atraente. O Parcela Única 2009 revelou-se um vinho realmente especial, untuoso e complexo, com a mineralidade bem preservada e algo cítrico. Talvez o melhor branco da mostra.

ATTILA GERE: vinhos excelentes, provando que a Hungria vai muito além do Tokaji. São vinhos surpreendentes, com grande complexidade e persistência. O Prestige Villány 2004, da uva Kékfrankos, mostrou frutas vermelhas e especiarias, além de boa acidez. Um vinho de personalidade, que pede acompanhamento. Destaque para um belo Syrah (Villány 2007), complexo e estruturado, e para o Kópar Villány 2007, um corte bordalês de primeira, denso e aveludado, que passaria facilmente por um grande Bordeaux.

CELLER DE L'ENCASTEL: o Priorato em grande expressão. Vinhos profundos e estruturados, mas sem excessiva concentração e com toques distintos de alcatrão, minerais e especiarias.

COSSART GORDON: Filipe Pereira teve que se virar para atender os enófilos sedentos atrás dos belos caldos da Ilha da Madeira. Grandes vinhos, desde o sápido Rainwater Medium Dry até o ultracomplexo Bual 15 years Old Medium Rich.

DE SOUZA: A Maison de origens portuguesas possui 11ha de vinhas, cultivadas de forma biodinâmica. O Zoémie Cuvée Precieuse Brut Grand Cru chamou a atenção por sua elegância, cremosidade e persistência.

DOMAINE DE L'OUSTAL BLANC: a simpática Isabel Fonquerle e seu marido levam a sério a viticultura biodinâmica e o uso de uvas autóctones para, sem negar as características da região de Minervois, fazer vinhos orientados para a pureza e complexidade. O Naick Blanck VdT 9 é um branco raçudo, exótico e untuoso, das castas Grenache Gris e Macabeo. O Giocoso 2006, com predomínio de Cinsault, tem bom custo benefício: é saboroso e equilibrado.

DOMAINE PAUL BLANCK: grandes vinhos da Alsácia que dispensam maiores comentários. O destaque aqui foi um sensacional Riesling Grand Cru Schlossberg 1994, em perfeito estado, com aromas cítricos e minerais, frescor de sobra e final muito longo.Uma raridade, pois quase toda a produção vai para a 1ª Classe da Air France.

DOMAINE SIGALAS: Belíssimos vinhos gregos, especialmente os brancos da casta Assyrtico, saborosos e exóticos, com um toque mineral diferenciado. O Vinsanto Santorini 2004 é um espetacular vinho de meditação, com notas de frutas secas, bela acidez e final muito longo.

ELENA WALCH: produtora de 2011 pela Duemilavini, Elena faz vinhos de grande finesse. O Gewurztraminer Kastelaz 2010 tem belo corpo, com camadas de lichias e especiarias doces. O Lagrein Riserva Castel Ringberg 2005 é um belo varietal desta casta, exibindo ameixas, especiarias, mineral e um leve tostado, com taninos finos e boa acidez.

GULFI: certamente os melhores Nero D´Avola que já provei. O Rossojbleo 2010 já é excelente e mostra caráter próprio, com aromas de cerejas maduras e especiarias, profundidade e final longo. O Nerobaronj 2007 e Neromaccarj 2007 vão além, com aromas mais complexos, exibindo notas de chocolate e um equilíbrio invejável. O aromático branco Carjcanti 2009, corte de Carricante e Albanello também se destacam com suas suculentas notas de pêssego maduro.

HIEDLER: Os belos Rieslings austríacos da Hiedler chamam a atenção, mas a Grüner Veltliner também alcança altos patamares em suas mãos, especialmente o Beerenauslese 2007, com notas de pêssego e querosene, além de boa acidez balanceando o açúcar.

KORTA KATARINA: uso de castas autóctones e expressão do terroir, esta é a filosofia por trás destes surpreendentes vinhos da Croácia. O branco 2008 da casta Posip, da Ilha de Korcula, é um vinho vivaz, com notas cítricas e florais, boa acidez e corpo. O tinto 2007, da casta de difícil pronúncia Plavac Mali (fala-se PlavatisMalí) – parente da Zinfandel, tem fruta e madeira bem dosada, exibindo cerejas, café e algum floral, além de taninos maduros na boca. Sem dúvida,muito interessantes.

MONTIRIUS: com muita simpatia e elegância, Christine Saurel apresentou seus belos vinhos biodinâmicos do Rhône. O excelente Vacqueyras Le Clos 2006 é um vinho saboroso e polido com esmero, exibindo força e finesse ao mesmo tempo. O Terre dês Ainés e o misterioso Confidentiel 2006 vão ainda além em complexidade.

PALÁCIO DE FEFIÑANES: se em Portugal Anselmo Mendes faz maravilhas com a Alvarinho, Juan Gil de Araújo tentou mostrar que na Galícia a uva também rende belos vinhos como o 1583 Albariño de Fefiñanes 2010, que concilia bem a mineralidade da Alvarinho e o uso da barrica, e o Albariño de Fefiñanes III Año 2007, em que o longo repouso sobre as lias lhe confere uma textura especial.

PIEROPAN: mais uma para nos fazer rever conceitos. Aqui a Garganega, em seu melhor potencial, dá origem a belíssimos Soaves, especialmente o La Rocca, complexo no nariz, rico e muito sápido na boca. O Amarone 2006 e o Reciotodi Soave Le Colombare 2006 também se destacaram.

SIMCIC: outra grata surpresa do leste Europeu. Os brancos são muito interessantes, desde o Sivi Pinot Grigio, fermentado nas lias, ao Sauvignon Blanc Seleckija 2008, com aromas que lembramos bons vinhos do Loire. Os vinhos da casta Rebula (Ribolla Gialla) também surpreendem, especialmente o Opoka 2008, complexo e untuoso. O Pinot Noir Selekcija 2008 é um excepcional vinho, bem ao estilo Borgonha. Elegante e complexo, com notas terrosas e de frutas vermelhas, ótimo frescor e um longo final.

 

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