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Degustação de vinhos de Israel

31/08/2017::Daniel Chaves

No último dia 16 de agosto tive o prazer de participar de uma degustação promovida pela Israel Trade & Investment, em parceria com a Câmara de Comércio Brasil-Israel e a ABS Minas. Foi uma bela oportunidade de conhecer um pouco mais sobre os vinhos de Israel e atestar a sua boa qualidade.

A história da produção de vinho em Israel é milenar mas ela ficou por muito tempo abandonada com a dispersão do povo judeu em virtude dos confrontos e disputas territoriais. O primeiro marco da vitivinicultura moderna do país ocorreu em 1880, quando foi resgatada pelo Barão Edmond de Rothschild, que fundou a vinícola Carmel, existente até os dias de hoje. No entanto, as guerras e instabilidades na região ainda tornavam difícil a tarefa de elaborar vinhos de qualidade de forma consistente. Foi em 1980 que uma nova revolução se deu, desta vez pelas mãos de jovens enólogos com formação no exterior, trazendo consigo o know-how adquirido em locais como a Califórnia. Através deles foram introduzidas técnicas modernas e castas "internacionais", como a Cabernet Sauvignon (atualmente a mais plantada em Israel), Merlot, Chardonnay, Sauvignon Blanc e Muscat. Com isso o panorama mudou e Israel voltou ao mapa dos vinhos de qualidade, sendo apreciados não só por aqueles que, por respeito a preceitos religiosos, buscam vinhos kosher, mas também pelos enófilos em geral. Aproximadamente 55% das exportações vão para a América do Norte e 35% para a Europa ocidental.

O país está situado dentro dos paralelos considerados ideais para o cultivo da vide. O clima árido é contornado pela irrigação e, em alguns casos, o cultivo em altitude, como nas Colinas de Golan, uma das mais prestigiadas regiões vinícolas. Aliás, o clima seco na colheita tem especial papel no favorecimento da sanidade das uvas. 

Israel possui hoje mais de 5.500 hectares de vinhedos e aproximadamente 300 vinícolas. Cerca de 60% da produção fica nas mãos de 3 grandes produtores: Carmel, Barkan e Golan Heights. Nesta degustação tivemos a oportunidade de provar vinhos destas vinícolas além da vinícola boutique Montefiore.

Mas vamos aos vinhos:

A degustação começou com o Montefiore branco, um corte de Colombard (65%), Chardonnay (25%) e Semillon (10%) de muito frescor, acidez alta e vibrante. Um ótimo vinho de verão. O segundo branco degustado foi o Hermon da vinícola Golan Heights, com aromas florais que remetem a castas aromáticas como Viognier e Muscat. Também um bom vinho, de estilo mais gastronômico: tem um pouco mais de volume de boca que o primeiro, mas também um pouco menos de frescor. 

Dentre os tintos, o Yarden Cabernet Sauvignon foi certamente o vinho mais sério da noite, estruturado e com bom potencial de guarda. Com bastante concentração de fruta e madeira bem marcante, lembrou um Cabernet de Napa. O Barden Cabernet Sauvignon foi um destaque em termos de relação qualidade/preço. Um CS mais despretensioso mas bastante equilibrado e saboroso - a boa acidez dá uma bem-vinda e inesperada sensação de frescor no palato. 

O Hermon tinto (um corte bordalês que além das três castas clássicas também inclui Malbec e Petit Verdot), e o Cabernet Sauvignon da Montefiore foram outros dois bons exemplos de tintos elaborados em Israel. O primeiro com um perfil mais moderno, focado na fruta bem madura, e o segundo com um pouco mais de complexidade, com notas bem características da casta. 

Em seguida foram servidos dois vinhos de sobremesa, elaborados com variedades de Moscatel. O primeiro, da vinícola Carmel, é feito ao estilo de um Moscato d'Asti: leve, adocicado e com uma leve efervescência. Tem uma aroma exótico em meio às notas clássicas da casta e o teor alcóolico baixo o torna muito fácil de beber. Já o Yarden Muscat é fortificado e tem inspiração nos vin doux naturel franceses. Bem perfumado, exibe aromas de jasmim e flor de laranjeira, damasco, lichia, mel e laranja confitada. No palato tem corpo médio, perfil mais quente, com acidez moderada e dulçor mais destacado. 

A degustação terminou com a clara sensação de que há muito a ser explorado nos vinhos de Israel. Com um bom nível de qualidade geral, os vinhos israelenses são uma boa opção para o enófilo que busca sair do lugar comum.

Meus agradecimentos ao Israel Trade & Investment e a Câmara do Comércio Brasil-Israel pelo convite, e meus parabéns à ABS-Minas, cujo quadro de professores tenho o prazer de integrar, pela parceria em mais este belo evento. 

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