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Degustação de vinhos nobres na Casa Rio Verde

13/03/2017::Daniel Chaves

No mês passado, Haendel Roberto recebeu profissionais do vinho e formadores de opinião para a degustação de 30 vinhos recentemente incorporados ao portfólio da Casa Rio Verde/Vinhosite.

O nível geral de qualidade dos vinhos foi bastante alto, incluindo alguns de regiões menos conhecidas e "fora do caminho tradicional". Vinhos que trazem tudo aquilo que mais gostamos no mundo do vinho: a diversidade!

Entre os brancos, todos de bom nível, o destaque foi para um Encruzado do enólogo Carlos Lucas (Ribeiro Santo Encruzado 2015) e um Saint-Bris 2014 do Domaine des Malandes.

Carlos Lucas foi sócio fundador da empresa Dão Sul onde atuou como administrador e liderou a equipe de enologia de 1994 a 2011. Em 2008 o seu trabalho foi  reconhecido pela prestigiada “Revista de Vinhos” com a atribuição em Portugal do prémio "Enólogo do Ano ”. Este Encruzado é fruto de um projeto iniciado em 2011 em parceria com outro enólogo português Carlos Rodrigues, e que já tem colhido bons resultados. É um vinho de boa relação qualidade preço, com um nariz perfumado e até um pouco exótico para a casta. No palato exibe uma bela e típica mineralidade, além de uma acidez fresca e precisa que lhe dá um belo equilíbrio. Boa estrutura e intensidade gustativa. É um branco versátil em harmonizações e cheio de sabor.

O Saint-Bris , por sua vez, pertence a uma AOC que foge à regra da Borgonha, onde a Chardonnay reina (quase) absoluta. Nela a Sauvignon Blanc assume o protagonismo e dá origem a um vinho com uma bela mineralidade e notas vegetais da casta apresentadas de uma forma bem elegante. O palato acrescenta notas cítricas e uma acidez vibrante contribuindo para uma sensação de muito frescor.

Dentre os tintos, provei um bom Morgon 2014 do Domaine du Penlois, que ganhou a medalha de platina da Decanter Magazine. Morgon é um dos Crus de Beaujolais que mais me agradam e expõe um lado mais sério da Gamay, que poucos conhecem. Um vinho com boa estrutura e concentração de fruta e agradáveis toques de especiarias. Fresco e bastante sedoso no palato.

Outros que se destacaram bastante foram os vinhos das bodegas do Grupo Jorge Ordoñez, todos eles muito saborosos. O Volver Single Vineyard 2014 é um tempranillo de vinhas velhas de estilo moderno, com uma boa intensidade aromática e um palato cheio de fruta negra madura e especiarias doces. O Tineta 2015, de Ribera del Duero, segue na mesma linha, com uma fruta suculenta e um tostado da barrica muito bem integrado. Já agrada bastante mas uma pequena guarda o deixará ainda mais redondo. O Zerran 2011 é um Montsant que se destacou sobretudo por ser um dos vinhos mais prontos e harmônicos do evento. Tem um ataque de boca ligeiramente quente, mas a boa acidez lhe dá equilíbrio e conduz a um final de bom frescor. Exibe uma fruta de qualidade e uma mineralidade que remete à região vizinha, Priorat. O Breca 2013 é um Garnacha bem perfumado, estruturado mas sem arestas, com uma bela concentração de fruta em compota no palato, típica das vinhas velhas. Por fim, os vinhos Triton (um Tinta de Toro 2015 e um Mencía 2014) também mostraram muita qualidade. O primeiro, merecedor de 94 de RP, é um Toro ainda um pouco arisco, mas potente e carnudo. Tem excelente potencial. O segundo já tem um perfil mais fácil de beber, é um vinho bem focado e fresco, com boa expressão da fruta, mas também com toques defumados e de especiarias picantes que lhe dão uma certa complexidade.

A Itália também marcou boa presença, começando pelo Nebbiolo Monpissano 2014, que já havia me agradado bastante na safra 2011. Ainda jovem, mas já mostrando uma boa tipicidade: a estrutura tânica firme (mas não áspera) e uma bela acidez confirmam sua vocação gastronômica. Outro que confirmou a boa impressão de safras anteriores foi o Panarda Montepulciano d’Abruzzo Riserva 2011, um vinho de boa amplitude e estrutura no palato, também com potencial de evolução. O Anghelos Rosso Piceno Superiore 2012, por sua vez, é um corte de Montepulciano, Cabernet Sauvignon e Sangiovese, que já mostrou um perfil um pouco mais evoluído, com notas terrosas e um toque terciário, além de taninos muito polidos. É um vinho já pronto para beber.  A Toscana também esteve bem representada através do PuroSangue 2012, um Morellino di Scansano Riserva de boa intensidade aromática e gustativa, mais um que também promete boa evolução.

Voltando aos vinhos de Carlos Lucas, o Touriga Nacional 2013 se mostrou à altura do Encruzado. É outro que ainda pode afinar mais com a guarda, mas já exibe um conjunto bem acabado e saboroso, com as notas frutadas e o floral típico da casta, tudo bem integrado às notas do estágio em carvalho.

O encerramento se deu com bons vinhos de sobremesa, entre eles uma curiosidade. O De Muller Vino de Misa Dulce superior é elaborado por uma bodega espanhola fundada em 1851 seguindo os preceitos da Santa Sé, sendo por muitos anos o provedor oficial do Vaticano. Não chega a ser celestial mas está longe de ser um simples vinho docinho de missa. É bem complexo e expressivo, sem excesso de dulçor e com acidez equilibrada.

No geral, um painel de belos vinhos que valem a pena ser conhecidos pelos enófilos que gostam de explorar a diversidade do vinho.

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