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Uma noite com um Mestre

05/04/2012::Christovão de Oliveira Junior

Estamos em um período no qual importação de vinho e importadoras estão mais do que em voga em toda a mídia. As chamadas “salvaguardas” do Vinho nacional causaram verdadeira ebulição no mundo do vinho brasileiro.

Enquanto lubrificamos as armas para uma guerra (ou guerrilha) contra a medida proposta por alguns produtores brasileiros tive oportunidade de participar de um daqueles eventos que a Mistral continuamente proporciona aos enófilos brasileiros: um jantar com um dos mais importantes vinicultores não apenas de Portugal, como de todo o mundo, Álvaro de Castro da Quinta da Pellada.

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O jantar com Álvaro foi um evento diferenciado e delicioso. Ele é uma pessoa simples, inteligente, de um humor fino e “afiado” e em cujo contato se pode notar uma grande paixão pelo vinho.

Álvaro é engenheiro civil e não tem formação “formal” em enologia. Segundo ele o espírito científico dado pela engenharia civil é uma influência importante para o vinicultor. Isto ocorre principalmente no segundo dos dois grandes momentos de um vinho que para ele são:

  • Decisão do momento da colheita
  • Definição do blend

Álvaro é um adepto de vinhos de corte. Para ele varietais são vinhos muito mais difíceis de gerar vinhos de exceção. O blend oferece oportunidade de se valorizar as melhores características de cada casta.

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Um momento interessante foi quando ele fez questão de citar Rolf Niepoort, pai de Dirk Niepoort, ao se apoiar na frase dele que diz: “o grande vinho de Portugal tem a força do Douro e a elegância do Dão”.

Ao ser perguntado sobre grandes vinhos portugueses Álvaro teceu diversas considerações e acabou por citar inúmeros vinhos. Mas os dois primeiros que ele citou foram o POEIRA 2007 e o PINTAS, sem citar uma safra específica.

Outra citação importante de Álvaro é que ele considera a Bairrada como uma região mal amada, mas possuidora de grandes vinhos. Um exemplo que ele citou são os vinhos da QUINTA DA DÔNA.

A noite foi cheia de ensinamentos e citações. Uma bela comparação feita foi: “a Baga é como a Nebbiolo, precisa de teores mais altos de álcool. Não existe Barolo ou Barbaresco e qualidade com 12%”.

Entre os vinhos servidos tivemos: (clicar nos vinhos para ver a análise):

Um conjunto de vinhos diferenciados e instigantes. Vinhos que demonstraram porque Álvaro de Castro já foi escolhido enólogo do ano de Portugal e porque seus vinhos estão sempre entre os melhores do Dão e de todo o país.

É importante citar que assim como a ambiência influencia nossa percepção do vinho, o mesmo acontece com eventos. Um evento no Ah! Bon já é especial pelo local, pelo atendimento e pela qualidade da cozinha do Chef Leo Mendes. Não por acaso os eventos especiais do “Concílio do Vaticano” do BeloVinho são realizados nesta casa especial. A casa que já ganhou cinco vezes o prêmio de Melhor Doceria de BH, na minha opinião merece um destaque especial por sua cozinha sensacional. Eventos realizados na casa são praticamente uma garantia de sucesso. Juntar Mistral, Álvaro de Castro e Ah! Bon é “pule de dez”.

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Para terminar a lembrança de uma das muitas frases irreverentes deste grande produtor. Quando declarei meu amor pelos vinhos da Encruzado ele retrucou: “é uma casta espetacular. O problema é que seus vinhos ficam fechados durante um período de sua vida, mas quando abrem são como a Claudia Schiffer com vinte anos”. Acho que passei a apreciar mais ainda os vinhos desta casta!

 

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