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A Ilusão do Dulçor

27/10/2015::Christovão de Oliveira Júnior e Daniel Chaves

           O grupo MASI é o quinto maior grupo vitivinícola da Itália e um dos mais importantes do planeta. É um grupo que tem seu foco na qualidade do seu produto e na tipicidade do que produz. Podemos dizer que o grupo tem os pés firmemente postados na terra, pelo valor que eles dão à filosofia de que seus vinhos devem representar fielmente o seu terroir.

            Uma visita à MASI pode mostrar como o grupo italiano tem em suas operações argentinas uma sólida base com filosofia, princípios e ações que respeitam, valorizam e incorporam a cultura local.

            A MASI trouxe à Argentina seu conhecimento, tradição e, principalmente, um de seus símbolos que é a casta Corvina. Um projeto que foi iniciado em 1995 atinge seus 20 anos de operação com um sucesso inegável e um futuro certamente brilhante. O brilho do futuro vem não apenas do sucesso da adaptação da Corvina ao terroir de Tupungato, mas  também pelo casamento perfeito entre o grupo italiano e a vitivinicultura argentina.

            A MASI está localizada no Vale do Uco, em Tupungato, e suas instalações estão em constante ampliação e aperfeiçoamento tanto para suas atividades de produção de vinhos quanto na recepção de turistas e divulgação de seus produtos e filosofia de trabalho.

            Nossa visita foi extremamente positiva  devido à atenção e qualidade do atendimento da equipe da vinícola.  Nossa jornada além da degustação dos três vinhos da vinícola, inclui uma visita à área de vinificação e uma verdadeira aula do enólogo Marco sobre os métodos de elaboração dos vinhos locais. Tudo isto com provas de tanques diversos, seguido da degustação de amostras de barricas. Uma oportunidade única de conhecer e avaliar os estágios de evolução de diversas castas antes do blend e, principalmente, do efeito do processo de passificação das uvas.

Alem disso, pudemos experimentar duas castas que a vinícola faz experiência no momento e que são a ANCELOTTA e a CROATINA. A experiência com a CROATINA, experimentada do tanque e da barrica, foi muito interessante uma vez que esta uva característica do norte da Itália e que faz parte do protocolo do Amarone é uma casta muito tânica e que precisa de um trabalho muito bem feito nos vinhedos e na cantina para que se obtenha um vinho “palatável”. As amostras que experimentamos indicam um belo potencial para os futuros vinhos desta casta. A Anacelota por seu lado apresentou um frutado interessante e saboroso.

 

            Ter uma empresa como a MASI, com todo o seu conhecimento, capacidade e tradição significa ter um “ás na manga” para a Argentina. Com a técnica do “appassimento” temos ao analisar os vinhos uma ilusão de dulçor num primeiro momento para depois nos surpreendermos com um vinho inteiramente seco,complexo e saboroso. O mesmo acontece com a MASI; quando descobrimos um poderoso grupo italiano fazendo vinhos no Vale do Uco, imaginamos que vamos encontrar “falsos Amarones” elaborados na Argentina. No entanto, ao degustar o que se produz aqui, descobrimos vinhos com forte caráter argentino, legítimos representantes do terroir, elaborados toques italianos que só valorizam o vinho.

 

Alguns dados importantes sobre a MASI Tupungato:

 

  • A MASI trabalha dentro da filosofia de agricultura biológica. Hoje o projeto tem uma área total de 160 hectares no qual estão plantadas as variedades: Malbec, Corvina, Pinot Grigio e Torrontés.

  • Todo o vinhedo da MASI está equipado com telas de proteção devido à possibilidade de queda de granizo na região.
  • A vinda da MASI para a Argentina se deu a partir de uma joint-venture com a NORTON. Quando a NORTON desistiu do projeto a MASI decide seguir em frente e a condição para o sucesso seria a adaptação da CORVINA ao terroir de Tupungato.
  • O sucesso da adaptação da CORVINA faz com que os 8 hectares iniciais do projeto tenham se transformado nos atuais 160 hectares.
  • Todas as uvas que vão passar pelo processo de passificação são colhidas a mão.

  • A propriedade é 100% orgânica desde a colheita de 2015.
  • Toda a CORVINA colhida passa pelo processo de passificação sendo que na Argentina ele varia de 10 a 25 dias enquanto no Vêneto ele dura até 3 mêses.

  • Apesar da tradição ser uma das marcas da MASI o grupo faz questão de se manter  em dia com o mais elevado nível da tecnologia. Mais do que isto aliás: a MASI com seu Grupo Técnico Masi, desenvolve técnicas e equipamentos exclusivos e com a mais alta tecnologia.
  • O “Grupo Técnico Masi” é um conceito de trabalho que valoriza o trabalho de técnicos competentes e experientes em suas áreas; eles fornecem um suporte tecnológico a cada uma das etapas tanto da vinicultura quanto da viticultura. O grupo diz em sua pagina que seus vinhos representam o fruto de um perfeito balanço entre pessoas, natureza, tecnologia e a terra.
  • As leveduras utilizadas pela MASI são propriedade exclusiva da empresa.
     
  • A produção atual na Argentina é de 825.000 garrafas e os planos são de se chegar brevemente a um milhão de garrafas.

 

Vinhos degustados (clique para ver avaliação):

Paso Blanco 2015

Paso Doble 2013

Corbec 2010

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