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Degustação com Adolfo Lona na Casa Rio Verde

10/08/2017::Daniel Chaves

Como já adiantamos aqui no site, nos dias 31/07 e 01/08 a Casa Rio Verde recebeu o enólogo Adolfo Lona para o lançamento do espumante Silvia, um rosé nature de edição especial de 1100 garrafas. Além de degustar este grande lançamento, que é sem dúvida alguma um dos melhores representantes dos espumantes nacionais, tivemos a oportunidade de provar outros espumantes dele e bater um papo muito informativo com este que é um dos maiores enólogos neste país. 

Nascido em Buenos Aires e formado em Mendoza, Lona veio ao Brasil em 1973 para assumir a direção técnica da Martini e Rossi, onde permaneceu por 30 anos e aprendeu a fazer espumantes inspirados em Champagne. Em 2004 ele levou adiante um sonho antigo de fazer seus próprios vinhos e espumantes, criando a Vinhos e Espumantes Adolfo Lona e levando consigo a filosofia de alcançar uma boa complexidade no produto final. Ciente de que o tempo é aliado de uma qualidade superior, ele adota ciclos de produção mais longos que o habitual: 180 dias no método charmat e um mínimo de 18 meses no método tradicional, proporcionando um contato mais prolongado com as lías.

Lona não possui vinhedos próprios, mas garante a qualidade de sua matéria prima comprando uvas há muitos anos de um mesmo grupo de vitivinicultores que seguem suas orientações em 4 regiões diferentes: Serra Gaúcha, Campanha, Farroupilha e Monte Belo do Sul. Sua produção anual total é de apenas 85 mil garrafas. Segundo ele, quem faz pouco vinho tem que se diferenciar para poder vender e é com esta visão que ele volta seu foco para a qualidade, inclusive nos espumantes elaborados pelo método charmat, nos quais busca um perfil fresco e frutado mas que tenham um "jeito" de espumantes de método tradicional/champenoise.

Outro diferencial de Lona é a utilização da Merlot em seus espumantes, cuja escolha se baseia no fato de ser esta a casta que, junto com a Cabernet Franc, melhor se adaptou no Rio Grande do Sul. 

Mas vamos aos espumantes degustados.

O primeiro espumante degustado foi o Adolfo Lona Brut. Elaborado com o corte clássico de Chardonnay (75%) e Pinot Noir (25%), ele cumpre muito bem a proposta de um espumante fresco e descontraído, para ser bebido com aperitivos ou entradas leves. Tem aromas francos de abacaxi, notas cítricas maduras, maçã cozida e um toque de frutos secos. Na boca tem boa cremosidade e frescor.

Em seguida passamos ao Rosé elaborado pelo método Charmat. A maior proporção de Pinot Noir (60%) lhe confere um pouco mais de estrutura que o anterior. Cor casca de cebola bem intenso, bolhas de bom diâmetro em profusão. No nariz notam-se framboesas, morangos, pêssegos, casca de laranja, floral e leve amendoado. Corpo médio a leve, seco, com mousse cremosa e acidez na medida. Bem versátil em harmonizações.

Depois foi a vez dos espumantes elaborados pelo método tradicional. O Brut se destaca pelo bom equilíbrio. Cor dourada, pérlage abundante e fina. Aromas de moderada intensidade lembrando abacaxi maduro, frutas cítricas e jasmim. Toques amanteigados e de autólise, além de leve mineral lhe dão uma complexidade interessante. Corpo médio, seco, de boa textura e harmonia entre fruta e acidez. As notas frutadas predominam mas com um fundo de panificação e frutos secos. 

A Merlot, vinificada em branco, entra na elaboração do Nature, servido na sequência. Embora bem seco, como esperado, trata-se de um Nature menos austero graças a uma acidez muito bem dosada. De cor ouro claro, tem pérlage fina e persistente. Os aromas conjugam bem fruta e notas de autólise. Na boca é elegante e acrescenta um componente mineral mais marcante que nos demais espumantes dele.

Enfim a estrela da noite, que Lona batizou em homenagem à sua esposa e ao ano de seu casamento. Como já mencionado, é um espumante rosé nature de edição especial de apenas 1100 garrafas da linha Orus Pas Dosé, elaborado com as uvas Merlot (60%) e Pinot Noir (40%) pelo método tradicional e mais de 30 meses de maturação nas caves. O menor tempo de maceração lhe confere uma cor casca de cebola bem clara e delicada (daí o nome “Rosé Clair” que Lona adotou no rótulo), com pérlage bastante fina. O nariz é elegante e entrega frutos vermelhos, leve floral, amêndoas tostadas, notas minerais e de panificação. No palato é refinado, cheio de nuances, com boa acidez e uma mousse muito delicada. Bravo!

Para encerrar a ótima noite degustamos um espumante demi-sec elaborado com a casta Moscatel. Com 22g/l de açúcar residual, tem um perfil menos adocicado que a média (na verdade há bruts com sensação de dulçor bastante próxima). De toda forma, a proposta é também de um espumante descomplicado e fácil de beber e é outro que cumpre bem sua proposta. Pode não ser dos mais perfumados mas é equilibrado e com aromas típicos da casta: notas florais, de pêssego e maçã.

Daniel Chaves, as duas Silvias (a homageada e a homenagem) e o mestre Adolfo Lona.

Nossos agradecimentos à Casa Rio Verde pela oportunidade de degustar os bons espumantes do mestre Lona e absorver um pouco de seu conhecimento. Conversar com ele é sempre um grande aprendizado.

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