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Degustação Quinta do Vallado na Adega CB

08/08/2017::Daniel Chaves

Na semana passada tive o prazer de participar de uma degustação de vinhos da Quinta do Vallado na Adega CB (Rua do Ouro, 548), que os vende em Belo Horizonte. A prova contou com a participação do português Tiago Soares, representante desta Quinta no Brasil, que contou um pouco sobre a história da vinícola e também deu informações sobre cada rótulo degustado.

Já aprecio os vinhos da Quinta do Vallado há um certo tempo e ela foi, inclusive, minha escolha para a estadia na região do Douro em 2015. O seu moderno hotel tem instalações confortáveis e é uma ótima base para explorar a região, além de contar com um restaurante de ótimo nível. A adega e cave de barricas, concluída em 2009, alia tecnologia de ponta a uma belíssima arquitetura, o que somado-se a grandes vinhos a torna uma visita obrigatória na região.

Um pouco de história

A Quinta do Vallado, construída em 1716, pertenceu à Dona Antónia Adelaide Ferreira, uma verdadeira lenda da região, e mantém-se até hoje na posse dos seus descendentes. Fica às margens do Rio Corgo, um afluente do Douro, bem próximo à localidade de Peso da Régua. A produção sob marca própria se deu a partir de 1993, quando iniciou-se uma profunda reestruturação das vinhas com o foco voltado para a elaboração de vinhos de alta qualidade. Hoje ela conta com 50 ha de vinhas mais jovens e 20 ha de parcelas selecionadas com vinhas de mais de 80 anos sob a responsabilidade de João Ferreira Álvares Ribeiro, Francisco Ferreira e Francisco Olazabal (enólogo), todos tetranetos de Dona Antónia. 

Os vinhos

Voltando aos vinhos, começamos com o Vallado branco, corte de uvas típicas do Douro (Rabigato, Códega, Viosinho, Gouveio e Arinto), sem estágio em madeira. Um vinho muito fresco, vibrante e focado no palato, perfeito para um dia de calor. É também este o caso do Rosé, elaborado com a Touriga Nacional, cuja cor lembrou os rosés provençais. Um vinho agradável e muito fácil de beber.

A prova dos tintos iniciou-se com o Quadrifolia, que se mostrou uma opção muito honesta para o dia a dia. Simples e descomplicado, focado na fruta, é daqueles vinhos para se beber batendo um papo com amigos, sem preocupar com harmonizações. A ele se seguiu o Vallado tinto, já conhecido de outras safras e que não costuma decepcionar. Aqui já temos um pouco mais de estrutura e complexidade, sem perder o estilo acessível.

 

Na sequência degustamos um vinho de produção biológica com uvas provenientes da Quinta do Orgal, no Douro Superior, e que já nesta primeira safra mereceu notas expressivas da crítica. Este tem um perfil mais moderno, com madeira mais marcada e um pouquinho menos de frescor. Um vinho de alta qualidade embora ainda um pouco jovem, penso que merece um pouco mais de tempo na adega para acabar de se integrar. 

A degustação me permitiu a oportunidade de revisitar um rótulo que já havia me agradado muito (nesta mesma safra), e que eu queria voltar a provar com mais tempo de guarda, o varietal Sousão. Dois anos depois da primeira prova ele continua exibindo uma cor púrpura retinta, sem sinal de evolução. É um vinho saboroso e gastronômico, com uma acidez marcante e boa carga tânica - um caráter ligeiramente rústico que lhe dá bastante personalidade.

O varietal Touriga Nacional foi outro que mostrou que, ano após ano, mantém-se em alto nível. Ainda está um pouco primário e é outro que merece um pouco mais de tempo de guarda para mostrar o seu melhor, mas tem ótima tipicidade (com as típicas notas de violetas) e já deixa claro o seu potencial. 

Por fim, a degustação se encerrou com um Porto que, na na minha opinião, é um dos melhores na categoria dos Tawnys 10 anos. Já conquista pelo nariz, com notas que remetem até a um Tawny mais velho. O palato é envolvente e tem uma acidez muito boa, que deixam álcool e acidez muito bem ajustados. 

Enfim, foi muito bom confirmar que qualidade dos vinhos da Quinta do Vallado continua excelente. São vinhos que merecem espaço na adega de todo enófilo, do iniciante ao mais experiente.

 

 

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