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Discutindo Terroir e Qualidade

//::Christovão Oliveira Junior

Desde o segundo semestre de 2008 eu e meu amigo Gerson Lopes estamos estudando a fundo o livro de Michael Schuster intitulado "O Essencial Sobre a Prova".

O livro além de muitas e detalhadas informações apresenta diversos exercícios práticos que abordam diversos aspectos da degustação.



A decisão deste estudo conjunto veio mais uma vez comprovar que o aproveitamento com um maior número de participantes, desde que interessados e capacitados, tem um rendimento muito maior. A interação com Lisandro e Nelton foi altamente benéfica e as discussões foram profundas e esclarecedoras. Não posso deixar de dizer, principalmente, que o estudo junto com um enólogo é algo de um aprendizado imenso para um simples enófilo.

O estudo desta vez tinha como objetivo discutir a diferença entre vinhos com base na Cabernet Sauvignon e na Merlot, bem como a influência do terroir na qualidade dos vinho.

Os vinhos degustados foram um Saint Emillion menor, com base na Merlot, um Cru Bourgeois com predominância da CSauvignon e um Deuxieme Cru também com preponderância da Cabernet Sauvignon.



Os vinhos foram degustados dois a dois e finalmente os três enquanto fazíamos uma analise visual, aromática, de sabores e da harmonia geral de cada um deles. Os exercícios do livro são extremamente didáticos e a degustação segue um passo-a-passo minuciosamente descrito por Michael Schuster.



Durante as horas de estudo não ficamos apenas nos exercícios propostos pelo livro, mas aproveitamos para um estudo mais aprofundado das castas envolvidas (principalmente com a ajuda do excelente livro sobre castas de Oz Clarke) e alguma coisa sobre a região e seus vinhos. Obviamente umas poucas horas são totalmente insuficientes para se estudar o universo que é Bordeaux. Entretanto as discussões são bastante proveitosas e a troca de conhecimento e de informações é utilíssima, sempre aprendo muito.

Os vinhos degustados neste estudo foram (clique sobre o nome para ver a análise):

Chateau de Rougerie – 2005 – St. Emillion

La Tour de By – Cru Bourgeois – 2003

Chateau Leoville Barton – 2002 – St Julien

Uma das descobertas significativas foi a diferença entre o que o autor chama de “duração do palato médio” entre os três vinhos. Para avaliar este item vou utilizar as palavras do próprio autor:

“...prove o vinho e enquanto vai trabalhando o vinho na boca e, alternadamente, o vai arejando, veja por quanto tempo o quer saborear, por quanto tempo continuam os sabores a lhe estimular o palato, antes de parecerem diminuir.”

É impressionante a diferença entre os três vinhos. A qualidade do vinho aparece com nitidez neste tipo de teste. Outros pontos que analisamos e discutimos foram:

  • Textura Tânica
  • Intensidade
  • Influência da aeração
  • Evolução na taça
  • “Terrosidade” dos vinhos do Medoc
  • Os sabores de ameixa e de groselha negra (cassis)
  • Uso e integração do carvalho
  • Acidez aguçada da Cabernet Sauvignon
  • Textura dos Cru Classe

 




Certamente a degustação de três exemplares é apenas, como diz o próprio autor do livro “um olhar introdutório muito limitado” ao tema. Entretanto a degustação e as discussões que fizemos foram excelentes para o entendimento do tema.

No próximo estudo: TINTOS DO VELHO E DO NOVO MUNDO.

Serão degustados dois Syrah (Austrália e Crozes Hermitage) e três Cabernet Sauvignon (Chile, Napa e França). Breve os comentários sobre mais este estudo prático.



 

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