Surpresas de Roma
Depois de tanto tempo de Egito e com toda aquela eno-dificuldade, voltar à Itália foi como voltar ao paraíso. Desta vez eu iria ficar mais uma semana, com a grande vantagem que todo o tempo eu teria a companhia de meus grandes amigos do Belo Vinho, Lucas e Marcela. Duas pessoas do coração para dividir as descobertas e para tornar mais agradáveis as degustações.
Logo ao chegar ao hotel no qual eles já estavam hospedados, antes mesmo de fazer o meu check in, encontro com os dois dizendo que já havia uma garrafa no quarto esperando para ser aberta.
Isso soou como melodia celestial aos meus ouvidos. Que o check-in, o banho e as malas ficassem para depois. Primeiro o vinho!!!!
Apesar de ser uma cidade fantástica, fiquei apenas um dia e meio em Roma. Esta minha viagem tinha, por definição, o objetivo exclusivo de ser uma viagem enolúdica!!!
Entretanto, algumas coisas tem que ser comentadas a respeito de Roma. Em primeiro lugar, não parta do principio que por estar em Roma se vai tomar vinho de qualidade. Principalmente o centro histórico possui incontáveis restaurantes, cantinas, cafés, etc. Claro que todos vendem vinho, mas as cartas nem sempre são as mais adequadas. Aqui, mais que em todo lugar, ao se pedir vinho da casa, temos que perguntar se o vinho é frisante. Vinho frisante é muitíssimo mais comum do que eu imaginava. Mesmo no Piemonte e na Toscana, muitos locais tem como vinho da casa um vinho frisante. Não me perguntem pela qualidade, pois tomei apenas duas vezes e todas as duas enganado. Uma delas, inclusive, quando querendo fazer daquelas compras “exploratórias”, deixei o certo de lado e fui para o incerto, me dando mal: comprei um Brachetto D’Acqui DOCG, frisante!! O vinho era para ser bebido por nós três, mas Lucas e Marcela resolveram que como pena por fugir do convencional eu deveria beber sozinho a garrafa inteira. Que fazer??? Bebí!!!
Mas, voltando a Roma, muitos bares e restaurantes do centro de Roma, sequer possuem taças para servir o vinho. Dá para acreditar? Vinho em copo, na capital da Itália? E olha que estou falando de estabelecimentos situados no centro histórico. Local no qual diariamente circulam centenas de milhares de turistas!!! Um dia em uma refeição, nós quase morremos de rir e meu amigo Lucas quase morreu do coração quando encontramos uma garçonete, em um restaurante colado no Coliseu, que não sabia utilizar o saca-rolhas!!! Ela quase estuprou a garrafa e o Lucas quase morreu do coração tentando interrompê-la e ela continuando a sua tarefa de “arrancar” a rolha!!!
Nestas situações, é melhor rir do que chorar!!! Além do mais, nós três mantivemos todos os dias a rotina de deixar uma ( às vezes duas ) garrafa especial aguardando nossa volta ao hotel. Era a tradicional reunião de avaliação do dia e de planejamento do dia seguinte. Reunião de trabalho!!!
Aliás, vou fazer um parêntesis aqui, para comentar algo que deveria ter passado a vocês.
Uma das melhores coisas que fizemos na viagem, foi hospedar em alguns Bed & Breakfast. Tínhamos toda a comodidade de ter um quarto grande, limpo e confortável, e além do mais tínhamos acesso à cozinha. Isto permitia que à noite, pudéssemos beber vários vinhos super especiais que havíamos comprado durante o dia, acompanhados de queijos, pães e presuntos especiais, que só encontramos na Itália. Isto tornava possível, por um preço muito, mas muito barato mesmo ter uma refeição especial regada a vinhos super especiais. Dava para abrir com espumante, passar por um branco e chegar aos tintos de forma tranqüila e agradável. Outra vantagem é que o quarto estava a apenas alguns passos da mesa!!
Claro que esta experiência não vai valer, como regra geral, para quem viaja com a esposa e para aqueles que só ficam em hotéis quatro e cinco estrelas e que não precisam se preocupar com a conta dos restaurantes; o que nunca foi o meu caso. Fazer uma viagem destas requer uma serie de malabarismos; e muitas vezes os malabarismos trazem resultados surpreendentemente agradáveis.