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Bacco, ora pro nobis
França
Christovão de Oliveira Junior
O Champagne são muitos!!

Muita gente fala sobre o Champagne, como se ele fosse uma bebida única; o espumante que é feito na região francesa de Champagne. Doce engano, doce desconhecimento. Para falar do champagne, vou falar de algo que gosto muito: a fotografia. A fotografia é baseada em três cores básicas: vermelho, verde e azul. Da combinação destas três cores, conseguimos milhões de cores. Cada uma com sua característica, cada uma com seu poder de agradar (ou não) a cada um de nós. O Champagne é feito de três uvas (Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier), podendo ter qualquer quantidade de qualquer uma destas três, e somente destas três uvas. Podemos ter um vinho elaborado de apenas uma delas, de duas ou das três uvas. Caso venha somente da uva branca Chardonnay, vai ser chamado de Blanc de Blancs (um vinho branco feito de uva branca). Caso seja feito exclusivamente de Pinot Noir ou Pinot Meunier (uvas negras) ele pode ser um Blanc de Noirs (vinho branco feito de uvas negras) ou pode até mesmo ser um Champagne Rose. O fato é que aqui já começamos a conhecer diferentes tipos de champagne. Além disso, um Champagne é resultado da mistura de diversos vinhos, de diferentes terrenos (chamados de "Crus"). Um único Champagne pode vir a ser resultado da mistura de mais de 50 vinhos diferentes. Tudo em busca de uma característica particular, da manutenção de um estilo especial de Champagne, característico de cada Maison (elaborador do vinho). Se o Champagne for um Vintage (safrado), no seu rotulo estará indicado o ano de sua colheita e ele será um vinho especial e elaborado somente em anos nos quais a colheita foi considerada especial. Ele será o resultado da mistura de vinhos de diferentes Crus, mas todos de uvas do mesmo ano. Os champagnes NV, ou Non Vintage (sem safra), que são a grande maioria, são o resultado da mistura de vinhos de diferentes anos, podendo envolver mais de dez safras diferentes.

Bem, não precisamos ir muito mais longe, para mostrar que o Champagne é uma bebida múltipla, diversa, com a personalidade de seus criadores, de sua Maison.

Em um filme que assisti na Moet & Chandon a elaboração do Champagne é comparada com a criação de um quadro. A escolha e a mistura das uvas são comparadas com o ato de o artista espalhar as diversas cores em sua palheta e escolher o matiz que mais lhe agrada. A imagem é excelente, pois o produto final é exatamente como um quadro. Qual quadro é melhor, um de Monet ou um de Matisse? Ou um de Goya? Ou um de Salvador Dali? Ou... e assim ao infinito. Você pode até gostar mais de um pintor qualquer, mas tem que concordar que cada um representa um estilo diferente, tem uma proposta diferente. Assim é o Champagne. Ele não é único; o Champagne são diversos vinhos. Um mais ligeiro, mais fresco, outro com mais corpo, um com acidez mais acentuada, outro de acidez mais discreta, mas de grande personalidade. Felicidade é poder desvendar cada um destes estilos, poder comparar Champagnes diferentes e encontrar aquele que lhe cai melhor, ou que vai melhor como acompanhamento para determinado petisco, ou determinada refeição, ou determinada sobremesa. Porque o Champagne é assim, se presta a diversos papeis. Apesar de ser frequentemente relacionado a comemorações, a festividades (e que bebida cumpre melhor este papel?), ele, devidamente harmonizado, pode ser o companheiro ideal para qualquer prato especial. Mais ainda, é a bebida especial para aqueles momentos quando voltamos para dentro de nós mesmos, para os momentos de reflexão, de meditação.

Descobrir cada estilo de Champagne é tarefa das mais agradáveis e das que podem trazer maior prazer. O Champagne não é simplesmente uma bebida especial, "são bebidas especiais". Por isso, podemos encontrar Champagnes de 8 euros ou de centenas de euros (isto para não falar nos de milhares de euros que são motivo para outra conversa).

Beber um Champagne de 200 euros é a garantia de que vou beber uma bebida muitas vezes melhor que quando bebo um de 20 euros? Nem sempre!! O preço não tem uma relação única com a qualidade. Tem uma relação muito forte com a quantidade de garrafas produzidas. Como os grandes Champagnes são elaborados em quantidades muito menores que os demais, e temos todo o mundo querendo beber deles... bem, o mercado faz o preço e nem sempre este preço espelha uma relação de qualidade em relação a outros Champagnes também especiais. Nesta viagem bebi alguns que custam cerca de 15 a 35 euros e que me encantaram, e participei da degustação de um dos mitos do mundo do Champagne, o CRISTAL BRUT 1999 de LOUIS ROEDERER, que aqui na França custa cerca de 140 euros, e que me decepcionou.

Com certeza minha capacidade de avaliação não é das mais apuradas, mas quando bebi alguns outros mitos, me deliciei a cada gota.

O que eu gostaria de dizer a vocês que me fizeram diversas perguntas sobre esta bebida divina é que por mais que a gente tenha oportunidade de beber o Champagne, cada garrafa, cada taça vai trazer novos e desconhecidos prazeres, novos e desconhecidos aromas.

Ao degustar um Champagne Dom Ruinart Rose 1990, encontrei além dos aromas frutados e tostados comuns a muitos champagnes, um aroma forte de café que me surpreendeu. Eu, nos pouquíssimos Champagnes que já bebi, nunca havia encontrado, nem esperava encontrar tal aroma. Por sorte, eu estava em uma visita com diversas pessoas e perguntei a todos que aromas estavam encontrando naquelas taças. Ainda bem que varias pessoas, principalmente as mulheres, citaram em primeiro lugar o café. Vivendo e aprendendo!!

Incentivo então a todos vocês que estão descobrindo ou estão por descobrir o Champagne: se dediquem, na medida e no tempo possível a cada um, a conhecer um pouco mais desta bebida fantástica. Esta prática só vai aproximá-los mais das estrelas!!!





Comentário(s):
Nome: Joao
Comentário:
Muito bom esse seu artigo, gostei bastante. Vou passear com a minha mãe pela região de Champagne e pretendo fazer boas visitas la. Obrigado por este artigo!



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