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Bacco, ora pro nobis
França
Christovão de Oliveira Junior
Visitando cidades de contos de fadas

Me permitam amigos, antes de continuar a relatar minhas visitas pela Alsacia, falar um pouco da cidade de Colmar.



Colmar é carinhosamente chamada de “Veneza Francesa”. O apelido faz menção aos canais que cortam boa parte do centro histórico da cidade e que são uma de suas atrações principais.

A região central da cidade é belíssima. Minhas manhãs nos dias da Feira de Vinhos, eu as passava vagando pela cidade. Tirando fotos, experimentando as mais diversas guloseimas ( o que não é meu costume) e tirando muitas fotos. Passear com calma por estas ruas e por estas casas e canais é como desfrutar de um mundo completamente diferente. O prazer que encontrei aqui, dificilmente encontraria em uma cidade grande. Não tivesse eu muito a viajar e me dedicaria, com imenso prazer, a passar alguns dias aqui, simplesmente tentando me integrar a este ambiente mágico.



Começar a caminhar bem cedo pela manhã e ver a cidade se abrir para a vida, lentamente como uma flor, me dava um prazer tão grande, como era grande o prazer de caminhar à noite e ver a cidade diminuir lentamente seu ritmo deixando a mostra apenas suas belas ruas iluminadas por uma luz mágica.







Colmar é uma cidade que ficará para sempre gravada em minha memória, despertando as mais belas recordações.


Depois de dois dias me dedicando apenas a Colmar e à Feira de Vinhos, teria dois dias nos quais me dedicaria a visitar algumas das inúmeras pequenas vilas alsacianas.
A região da Alsacia que vai de Colmar a Strasburgo é pontuada de pequenas vilas medievais, rodeadas de vinhedos.




Nestas vilas, as ruas são repletas de casas de produtores de vinho. A cada metro é uma placa chamando para degustação e venda de vinhos.



Pequenas cidades como RIBEAUVILLÉ, TURCKHEIN, HUNAWHIR, RIQUEWHIR, HAUT-KOENIGSBOURG e muitas outras, são verdadeiras jóias a se conhecer, explorar e pelas quais não se pode deixar de se apaixonar. Quisera eu ter tempo para conhecer dezenas de outras pequenas vilas desta região espetacular. Aqui, tudo lembra arte, vinhos, história, gastronomia; enfim, cultura! As cidades são verdadeiros patrimônios da arquitetura. Em todo lugar existe um bar, um café, um restaurante, uma casa de doces, de iguarias locais, etc, etc. Cada uma delas mais bonita e mais convidativa. Dá vontade de parar em cada uma delas, de curtir o que se oferece.

Esta região tem uma característica interessante: como a Alsacia se encontra na fronteira com a Alemanha, a região já pertenceu inúmeras vezes a este país. A cada guerra que envolvia França e Alemanha, a Alsácia mudava de lado. Por este motivo, muitos nomes aqui têem origem germânica. Muitas vezes se ouve mais o alemão que o francês. A arquitetura é muito mais do país vizinho do que da própria França. Isto torna a região um local especial e uma verdadeira área de transição entre França e Alemanha.

Curtir sem pressa cada canto destas cidades é algo emocionante e especial. Nelas, o tempo parece caminhar de uma forma mais lenta e mais inteligente, ter pressa aqui é cometer um pecado capital.

Sentar em cada bar e tomar uma taça de vinho, simplesmente admirando o que está em volta, é um prazer sem igual.

Entrar nas casas dos produtores, tomar com eles o vinho que fabricam com todo o amor, conversar com eles sobre vinho, mesmo que em um francês cambaleante, é algo que emociona.

No meu primeiro dia de visitas, decidi que me dedicaria apenas a produtores renomados e que iria em busca apenas dos mais reconhecidos vinhos: Rieslings, Gewurztraminer e Muscat; de preferência Grand Cru. Não esquecendo, é claro, dos Vendages Tardives e dos Selection de Grains Nobles, vinhos pelos quais eu havia me apaixonado de forma definitiva!!

Consegui cumprir muito menos do que pretendia fazer. As visitas demoravam muito mais do que eu imaginava e as cidades exigiam uma atenção muito maior do que eu imaginava.

Pensava ficar cerca de 40 minutos em cada produtor, mas algumas visitas duravam mais do que o dobro. Os produtores falavam com imenso prazer não apenas de seus vinhos, mas também do mundo dos vinhos. Tinham prazer em mostrar seus vinhos e os comentários favoráveis que eu fazia, só aumentava a quantidade de exemplares servidos.

Se na região de Champagne as pesquisas sobre os vinhos de boa relação custo X qualidade não tinha sido de grande valia, aqui, pelo contrario, estes estudos não apenas foram de grande valia, como muitas vezes serviram como grandes facilitadores para as conversas com os produtores pois estes ficavam curiosos em saber como eu conhecia aqueles vinhos. Aí, eles não apenas serviam os vinhos com um grande prazer, mas muitas vezes gostavam de mostrar que os guias nem sempre conhecem de tudo e colocavam para minha apreciação vinhos que eles consideravam mais indicados ainda do que os que eu tinha em minhas relações. Isto significava, que a cada visita destas, eram de dez a quinze vinhos a se experimentar. Isto sem contar as finalizações com os vinhos de sobremesa. Acompanhados de longas e deliciosas conversas. A cada uma destas visitas, me lembrava de Fernando Pessoa: “viver um momento com saudades dele, já ao vive-lo...”; nada melhor para descrever momentos que não poderão ser igualados.

Um outro motivo para que as visitas fossem em menor numero do que o desejado foram as vilas alsacianas. Elas são como cidades de contos de fadas. De uma beleza e de de um magnetismo difíceis de se imaginar. Muitas delas tem suas áreas centrais apenas para pedestres e as ruas estreitas são repletas de atrações: restaurantes, lojas, catedrais, hotéis, bares, artesanatos, etc, etc. Contemplar cada uma destas ruas e suas casas é algo que só se pode fazer com muita calma e com muito prazer. Não dá para ficar olhando relógio, preocupado com o passar do tempo; isto seria um crime, um pecado!

Ah Alsacia, com certeza um dia eu volto a esse ambiente mágico com muito mais tempo para poder desfrutar tudo o que você nos oferta!






Comentário(s):
Nome: Vitus Klarmann
Comentário:
Christovao, podes me dar algumas sugestoes para Colmar? Tens ideia do clima da cidade para final de dezembro?? Recomendas algo sobre vinho na cidade e em que local hotel ficar?

Abraco.

Vitus



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